Santo Couto Pereira
Perdemos nós, perdeu Marquinhos, perdeu o Coritiba, perdeu a diretoria que começava uma campanha para reaver os antigos sócios. No futebol, basta uma derrota como esta para mudar o rumo das coisas. Todo um trabalho – frágil é verdade – mas que dava sustentação a um planejamento, pode ter ido por terra. Todos os departamentos envolvidos numa campanha, onde tudo funcionou até ontem, como um relógio, pode ter se perdido.
O time vencendo, aos poucos ganhando a confiança do torcedor, que lentamente foi retornando, volta a olhar para o time torcendo o nariz. Por trás de tudo está sempre o desempenho do time. O torcedor só volta se tiver time, o treinador só fica se ganhar, e finalmente o time só ganha se tiver qualidade, o que não é o caso do Coritiba, hoje.
Se reproduzir o texto que publiquei aqui, na semana passada, com o título “ Os deuses conspiram contra”, era o presságio do que teríamos nesta fase mais dura do Campeonato. As previsões estavam muito perto do que vimos em Londrina. Alguém até arriscou dizer que a tragédia de Foz, nos 2x0, na primeira fase, foi um acidente de percurso.
Me parece ser este o maior problema. Também tivemos outros acidentes de percurso: contra o Prudentópolis, contra o Paraná Clube, e agora contra o Londrina.
Fomos iguais nas quatro partidas: medíocres. Três partidas abaixo da crítica. Nenhum time no mínimo razoável, joga assim quatro vezes. Uma vez vá lá, mas quatro? Deduzo então que a avaliação deste time fica abaixo do razoável. Temos um time ruim. Mal e mal para ser campeão paranaense.
Gosto do Marquinhos Santos, acho que faz o que pode com o que tem, mas pelo menos em três oportunidades foi engolido técnica e taticamente. Seu maior pecado talvez tenha sido manter a mesma forma de jogar. Aliás, parece ser a única quando precisa buscar o resultado. Provavelmente por falta de opção. Me parece mesmo fazer o que pode com o que lhe oferecem.
Marquinhos está convencido que tem um time melhor que os seus concorrentes no Paranaense. Até acho que pode ter alguma razão, mas nem sempre. Perde justamente no banco. Quando é atraído para as armadilhas táticas, caso do jogo contra o Foz, e agora contra o Londrina. Além de ter sido superado pelos seus colegas treinadores, Marquinhos olha pro banco e não vê saída para o problemas que têm.
Além da marcação forte que impôs, apesar de jogar em casa, o Londrina ainda teve como principal arma o contra ataque, coisa que jamais admitiríamos caso o jogo fosse no Couto, porque nos consideramos maiores e time grande joga em cima do adversário. Não foi o que fez o Londrina e jogando com a cabeça, como numa partida de xadrez, se deu bem.
Me diga: por que nós, com este medíocre time, precisamos jogar dando espetáculo quando não temos qualidade pra isso? Precisamos baixar a crista e reconhecer nossas limitações. Aí, quem sabe as coisas mudem.
Sim, estou tentando dizer que talvez tenha faltado humildade ao Coritiba. Mais uma vez achamos que passaríamos por cima e no mínimo teríamos a nosso favor um empate e isso ainda não estaria bom na avaliação da maioria. Mas nem isso deu. Nem um empate com o também limitado time do Londrina.
Pior que isso é não confiar e ter certeza que não temos time para reverter este quadro. Se a situação de ontem se repetir, muito provavelmente não faremos dois gols. Com um pouco de sorte, quem sabe um golzinho.
Você ainda não se convenceu disso tudo? Acha que o Coritiba tem capacidade para reverter esta situação na segunda partida, jogando em casa? Então, te dou apenas uns bons motivos para não acreditar nisso: Negueba é o nosso melhor jogador junto com Carlinhos. Rafhael Lucas é artilheiro, mas precisa de alguém que o coloque com a bola no pé em condições de chutar ou cabecear. Este é o Coritiba de hoje. Três jogadores medianos são a nossa sensação, e neles a esperança de alguma coisa. De resto, o time é de razoável pra baixo, o que me faz acreditar que apenas com sorte teremos vaga na final.
Pra não ser tão pessimista assim, diria que ainda nos resta uma única esperança para reverter esta história, a que ainda não foi usada este ano. E que sempre foi uma das principais armas: a torcida. Só ela, enchendo o Couto, gritando o jogo todo - como já fez em muitas oportunidades - será capaz de empurrar este time pra cima do Londrina e reverter esta situação. Se não for assim, só com sorte, porque se depender de futebol...isso não temos. É que além de futebol, também falta espírito de decisão. Isso, só com a torcida jogando junto.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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