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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Sobrenatural de Almeida

Não vou te pedir milagre. Afinal, você é apenas um torcedor, assim como eu. Mas que agora possamos ser úteis nesta reta final de brasileiro, além da torcida na arquibancada, e como nunca nossa força e energia funcione, que tenha o efeito que um dia imaginamos que pudesse ter. É preciso ser um pouco mais que torcedor, um pouco maluco a partir de agora.

Primeiro preciso te dizer que não acredito em torcedor que não tenha uma pontinha de superstição. Se você não faz parte deste time, você é racional e torcedor racional faz parte de outro mundo. Se você é assim, então nem perca tempo lendo o resto. Mas se um dia já se agarrou num santo na hora de um pênalti, usou por um longo tempo uma mesma cueca (lavada) em dia de jogo, entrou sempre pelo mesmo portão do Couto e saia por outro, porque sempre achou que aquilo dava sorte ao time, então venha comigo neste último delírio de torcedor com um resto de esperança.

Vale da medalhinha do santo protetor ao patuá, da mandinga braba, galho de arruda, até a caneca com o emblema do clube. Também vale a cueca para ser usada só em dia de jogo (sempre lavada depois de cada partida), do mesmo estacionamento de sempre quando você vai ao Couto... tudo isso está valendo a partir da próxima rodada. Que as cuecas, patuás, santos e rituais em dia de jogo, nos ajudem como nunca ajudaram um clube na história do futebol.

Se você abandonou tudo isso há muito tempo porque o time não ajuda, por favor, retome seus rituais.
Se você usava a caneca do Coxa apenas em dia de jogo, e por alguma razão deixou de usar, volte a usá-la. Se você rompeu com seu santo só porque o time andava perdendo demais, faça as pazes com ele, retome suas orações. Vamos precisar delas.

Conheço uma torcedora, com uma caneca com o emblema do Coxa, mas que tem a borda lascada. Ao invés de jogar fora, transformou a caneca em vaso, onde plantou uma pimenteira. Na semana passada a pimenteira brotou, deu flores. Pra ela, um forte indicativo que agora a coisa vai.

Acho que é o que nos resta. Sendo absolutamente franco, se depender apenas do futebol, não acredito que com esta bola que andamos jogando, consigamos as vitórias necessárias.

Nunca caí numa real assim, tão rapidamente, mas ainda assim, acredito na minha cueca, na minha caneca, no meu estacionamento. Este delírio me leva um pouco mais longe. Ninguém me tira da cabeça que tudo isso está acontecendo porque simplesmente eliminaram, acabaram com o “meu” portão de entrada no Couto. O pro-tork acabou com ele. Durante anos cumpri religiosamente este ritual. Entrada por um e saída por outro portão.

Meus pesadelos andam se repetindo: toda noite sonho com uma vaca caminhando sofrida e lentamente em direção ao “brejo”.

Minhas canecas sempre foram renovadas a cada lasca ou rachadura. Tenho uma nova, assim como também tenho a minha camisa “jogadeira”. Por um tempo abandonei tudo. Mas agora retomo. É o que me resta. Volto a me apegar a estes absurdos em busca de uma mudança na maré que anda pra lá de ruim.

Na verdade proponho a união de uma energia positiva capaz de transformar o que a esta altura parece impossível.
Não nos deixaram outra alternativa que não seja se apegar a estas maluquices de torcedor. Tudo isso mais uma vez para não ser rebaixado. Porque as promessas dos sonhos maiores não vieram.

Começo agora, contra o Figueirense minha absurda tentativa.

Como todo torcedor, na insignificância de cada um de nós, me apego aos recursos que tenho e que aprendi a usar nestes anos todos de arquibancada, e que o tempo me mostrou que na verdade as coisas se decidem mesmo nos bastidores e dentro de campo.

Mas... agora é o que posso fazer pelo Coritiba. Que cada um de nós faça a sua parte. Porque no mundo real, nos bastidores e com a bola rolando, não fizeram e dificilmente vão fazer.

E não me chame de maluco!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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