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ArquibancadaSergio Brandão

Tá na hora do recomeço

Levar filho ao estádio de futebol é um compromisso muito sério. Pra ele pode ser uma experiência inesquecível. A maioria define seu caminho neste primeiro contato, neste mundo que passa a ser mágico para muitos. Um mundo que passa a habitar seus sonhos e durante muito tempo faz de tudo para de alguma forma também fazer parte daquilo tudo. O efeito geralmente é devastador e fica tatuado para sempre. Se a gente deixa o futebol entrar na vida da gente, não sai mais. Na minha vida, já disse aqui, entrou aos três anos e nunca mais saiu.

Passei pro meu filho, que completa 30 anos e minha filha, que ainda vai fazer 8. Neles parece ter o mesmo efeito que teve em mim, mas de maneira diferente porque as pessoas são diferentes.

Mesmo nesta fase melancólica que vive o Coritiba, minha filha me acompanhou em algumas partidas. Recentemente se desinteressou, mas não perde o contato. Sempre pergunta sobre resultados, se empolga com vitórias, provoca adversários na escola, e se entristece nas derrotas. Agora, parece estar pronta para voltar, se o clube e o time ajudarem.

Futebol é quase sempre herança de família. Vem de casa. A gente acaba se mirando no que vê, no que nos mostram, como os pais se comportam, mas determinante mesmo é a forma como o clube é administrado naquele período que a gente começa a se interessar.

Um clube de grande torcida, necessariamente precisa ser um clube identificado com vitórias, com títulos. E não é o caminho que faz o Coritiba nos últimos anos, em suas últimas administrações.

Não sou estudioso deste comportamento, mas percebo que hoje temos dois perfis de torcedores: o jovem, que tem ídolos recentes como Cleber Arado, Tostão, Alex, Pachequinho e Wilson... e uma geração mais velha, que se apega ao passado que ficou bem para trás, com Krueger, Passarinho, Nilo, Celio, Rafael, Hermes, Negreiros Zé Roberto, Abatia, Paquito etc.

O Coritiba tem uma enorme dívida recente na formação de novos torcedores, por razões óbvias. Estamos diminuindo em número de torcedores e isso precisa ser retomado imediatamente. Precisa ser projeto de médio prazo e que pode ser uma das bandeiras da administração que assume o clube ano que vem.

Com o nosso brilhante DNA de clube grande e vencedor, acredito que em poucos anos o Coritiba pode retomar seu crescimento com o que ainda é o seu maior patrimônio, a torcida. Mas esta retomada só me parece possível com vitórias e consequente conquista de títulos.

Esta força parece invisível, anda escondida, mas que ainda pode ser percebida na movimentação que surge quando o time passa pelo memento que vive agora, por exemplo. Já há um barulho grande de torcedores, para a partida contra o Avaí, numa mobilização que deve dar um recorde de público do Coritiba, neste Brasileiro. E assim será em caso de vitória, na partida seguinte, em casa, contra a Ponte Preta. Assim se constrói novos torcedores. Entendo que pode ser um recomeço.

Mesmo tendo conseguido ser a pior administração da história recente do Coritiba, quem sabe com um pouco de sorte e boa vontade, a “Coxa-Maior” possa entregar o clube aos futuros dirigentes, com um problema pelo menos em vias de solução. Trazer o torcedor de volta e formar novos frequentadores do Couto.

Gostaria de ter argumentos suficientes, para poder fazer minha filha voltar a frequentar o Couto, assim como frequentei o Belfort Duarte em tempos de glória.

Já passou da hora desta nova geração sentir o gostinho de torcer por um clube grande, no mínimo com uma história bonita pra ser contada.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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