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ArquibancadaSergio Brandão

Time ou clube ?

Há algum tempo o Coritiba já não é mais a primeira força do futebol da cidade. A torcida carrega a mágoa como uma batata quente na mão, sem saber se relacionar com esta condição. Uns esperneiam outros aceitam. De um jeito ou de outro, a bata queima e anda difícil segurar mais esta.

O dia de ontem, quarta-feira (25), pode servir de exemplo. Uma quarta-feira gorda de futebol pelo país, inclusive com jogo da seleção, no Rio. Aqui, os outros dois clubes da capital já começaram a temporada. Um com uma partida amistosa com um grande clube do cenário sul- americano e o outro, na Primeira Liga. Um com vitória e outro com empate. Não, não se preocupe, não vou colocar o Coritiba (ainda) como a terceira força, depois do Paraná Clube.

Enquanto Paraná e Atlético estreavam na temporada, o nosso glorioso Coritiba fazia um jogo-treino “com um time de futebol da cidade”. Pelo menos foi assim que o site do clube classificou este trabalho. Sem maiores detalhes, sem nome, qualidade do time ou qualquer outra informação que pudesse esclarecer melhor sobre o tal adversário. O departamento de comunicação, por ordem do próprio clube, imagino eu, passa pelo fato tratando o caso de forma superficial. Tudo bem que um treino não pode ser destaque, principalmente contra um “time da ciade”, sem identificação, como diz o texto do site do clube. Mas pra não fazer piada, porque o problema já chega em níveis de preocupação, começo a achar que o sonho de um time um pouco melhor para 2017, entra na classificação de pesadelo.

Não só por tudo que digo acima, mas porque como diz o COXAnautas, na matéria de hoje, o time estreia sem seis titulares domingo, contra o Cianorte. Ainda é início da temporada e a maioria que veio, está “bichada”, com problemas pra serem resolvidos pelo departamento médico. Com exceção de Berola que já estava machucado, de Filigrana que não teve sua documentação liberada, de Henrique Almeida que precisa de fortalecimento muscular, de Rildo que ainda não está 100% de Kleber que está suspenso etc. etc. etc. Ainda temos Jonas e Dodô que também não podem jogar.

Oras, parece que o planejamento ainda não foi afinado. Ou o planejamento era este mesmo? Ele na verdade prevê o quê? Que sejam mais claros para que não fiquemos aqui nas suposições. Que abram o jogo com o torcedor que por enquanto ainda é chamado apenas para pagar contas, ajudando o clube financeiramente. Não tem contrapartida.

Ando chato, vou continuar chato, até que alguém lá de dentro me responda a todas estas questões. Não sou eu e nem minhas criticas que andam espantando o torcedor, cada vez mais distante do Couto e das coisas do Clube. São as administrações atrapalhadas, patéticas até, que empurram o Coritiba para baixo. Não adianta o torcedor espernear contra colunista, contra a imprensa, contra radialista, se as coisas dentro do clube não são feitas de forma correta. Faço meu papel de cobrar como todo torcedor deve fazer. Cada um do seu jeito. O meu é este. Gostem ou não. Os insatisfeitos que procurem outra coisa pra ler.

Enquanto Paraná e Atlético começam a cumprir um calendário, a direção Coxa se dá ao luxo de abrir mão da Primeira Liga e faz a opção de “jogar com um time da cidade” como preparação para o regional, Copa do Brasil e Brasileirão, e ainda estreia no Regional com menos da metade do que chamam de titulares.

Tem mais... muitos ainda não se deram conta que só verão o time se forem ao Couto. Não haverá Coritiba na tv, nem aberta e nem fechada. Pior, acompanhando uma decisão liderada por Mário Celso Petraglia, Bacellar optou por não fechar acordo com as tvs para transmissão , pelo menos do Regional.

Ser um clube ou ser um time? Uma escolha que não conseguem fazer nos bastidores do Alto da Glória. Ultimamente temos sido apenas um time de futebol, e com a qualidade que vocês conhecem tanto quanto eu. Pra ser um clube ainda falta muito. Tinha tudo para ser um dos grandes. Ficou pra trás.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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