Torcedores enrustidos
Quando digo que a imprensa esportiva curitibana é formada por torcedores de arquibancada, me refiro a textos como os de hoje, espalhados pelos sites, que falam da estreia dos clubes da capital no Campeonato Regional.
Algumas manchetes tratam a conversa assim: “Atlético poupa titulares pensando na Libertadores”. Em outro site: “Remendado, Coritiba estreia no Campeonato Paranaense contra o Cianorte”. Chega a ser até engraçado, de tão tendencioso.
Na verdade ultimamente tem sido assim. Alguns mais... outros menos. Registro mais uma vez a minha indignação com esta falta de profissionalismo, de onde saí e frequentei por muitos anos, e que naquela época não havia este tipo de problema. Quando havia, ainda que timidamente, todos os profissionais sabiam até onde podiam ir com esta história. Havia uma preocupação maior com a credibilidade que todos queriam passar. Pra conseguir isso, era preciso merecer o respeito de todos os torcedores. Era difícil, sem dúvida, mas era assim que funcionava e precisava ser. Hoje parece que não há mais esta preocupação. Nem com o torcedor e nem com a informação. Escancaram sem piedade suas preferências, usando seu instrumento de trabalho, para em alguns casos até provocar o adversário.
Por isso, de alguns sites, não passo das manchetes. Nos últimos anos, nem abro os textos. Anda difícil saber para onde correr quando é preciso obter alguma informação sobre futebol. Quando a gente encontra isenção, o texto não ajuda. O tratamento do tema é dado de forma amadora e deixa a notícia sem atrativo algum.
O jornalismo esportivo anda acompanhando a qualidade do futebol de hoje, que já foi bom com Pelé, Tostão, Garrincha, na bola, e com Nelson Rodrigues, Mário Filho, Rui Castro e Armando Nogueira na caneta.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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