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ArquibancadaSergio Brandão

Três estátuas

Três estátuas

O Monumento mais famoso, a estátua da Liberdade, erguida para comemorar o centenário da assinatura da declaração da independência dos Estados Unidos, marcou uma época. Um dos maiores ícones do mundo, o presente dado pelos franceses aos americanos, comemorando a data, entrou para a história da humanidade.

É da cultura dos homens mostrar sua gratidão erguendo monumentos, estátuas a figuras ilustres. Bustos, placas... As estátuas agradecem e eternizam momentos que ficaram na história.

É o que também quer a torcida do Coritiba, eternizando o seu maior ídolo, Dirceu Kruger. O projeto que existe há meses, está perto de se consolidar, eternizando o maior jogador ou ídolo em toda a história do clube.

O projeto ganhou mais legitimidade quando um grupo de torcedores comprou a ideia. Nada mais justo. Esta história tomou o rumo que deveria tomar. Um ídolo reverenciado pela sua torcida, com quase nenhuma intromissão política. Um ídolo homenageado legitimamente, com arrecadação de fundos e organização exclusiva de seus torcedores, seus seguidores de anos.

Com 70 anos de idade, sendo 50 com serviços prestados ao Coritiba, Kruger se tornou uma lenda viva dentro do clube. Que antes da estátua, precisa ser respeitado por tudo que fez por amor declarado e escancarado ao Coritiba.

Uma estátua nos fará lembrar de Kruger, a cada ida ao Couto Pereira. A cada jogo será lembrado e reverenciado. Seu gesto, eternizado na comemoração de um gol, em estátua de corpo inteiro, será a lembrança mais forte de suas glórias com a camisa do Coritiba.

Há mais de um ano que a torcida clama por esta inciativa. Precisou ela mesma comprar esta história para que finalmente a homenagem tomasse corpo.

Além das razões que todos temos de homenagear Kruger, tenho meus motivos particulares e muito pessoais, já ditos aqui inúmeras vezes.

Tenho uma gratidão imensa a este cidadão, que no final da década de 60 e até hoje, me honra com a sua amizade. Me sentiria em falta e pela metade se não participasse desta campanha da forma como tenho feito. Ainda acho pouco, pelo tanto que devo a ele, como torcedor, admirador e como já disse, pelo privilégio da amizade que concede a mim e toda minha família.

Este ilustre cidadão Coxa, habita minha vida desde criança, me dando a oportunidade de ser meu primeiro ídolo. E olha que numa infância que já tinha Pelé como genial. Mas foi com Kruger que tive a minha primeira referência no futebol. Coritiba e Kruguer eram a mesma coisa. Ainda são.

Por isso, torcedor, compre você também esta história, para que seja toda ela mais legítima, só nossa, só da torcida. Que seja com a imagem de Kruger, representada numa estátua, colocada em frente ao estádio, que se eternize este amor que com ele dividimos pelo mesmo clube, o nosso Coritiba.

[t]Jogo treino[/t]

Enquanto escrevo, ouço pelo rádio que o Coritiba perde para o Toledo em mais um jogo treino no oeste do estado. O resultado me faz lembrar o texto que publiquei, anterior a este: “MAIS UM ANO DAQUELES...” Também lembro que em seus melhores dias, em tempos de Kruger, por exemplo, nossas preocupações eram outras. Era bater de frente com os grandes do futebol brasileiro. E jogávamos assim, enfrentando estes grandes em condições de igualdade, ou muitas vezes até fomos melhores.

Nesta caminhada rumo ao fundo do poço – que nossos dirigentes estão conseguindo nos levar, logo, precisaremos de mais uma estátua ao lado da de Kruger.

Provavelmente uma que lembre Evangelino, o único presidente que vestiu a camisa e que não gostava de perder nem em treino. Que fazia política pensando no clube, no nome, na instituição, só pelo Coritiba, e que para isso fez o que esta gente que aí está, não é nem capaz de supor.

Quem sabe, mais adiante, também não mereça uma estátua a torcida, a maior do Paraná e a mais paciente com seus comandantes, nestes últimos anos.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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