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ArquibancadaSergio Brandão

Um ídolo para chamar de seu

Me permitam uma reflexão sobre este Brasil de ontem, contra o Equador. Virei um papagaio de Edú Coimbra, treinador daquele Coritiba de 1989, quando tivemos o último grande time.

Numa conversa casual com Edú, naquela época, me disse ele que com um time daqueles (Osvaldo, Serginho, Carlos Alberto e Tostão), no meio, Chicão e Kazu na frente, o papel de treinador era de apenas distribuir camisa no vestiário. “Raras vezes atuava como treinador" , arrematou Edú. Tinha mais utilidade como psicólogo do grupo, do que como técnico.

De lá pra cá, passeia a acreditar nesta máxima, que ontem com Tite no comando da seleção, me provou o contrário. Ou Tite é mesmo um psicólogo e não treinador? Difícil responder isso agora. Mas é inegável que estamos falando de um treinador com estrela, carismático, com um grande toque de Midas. Onde põe a mão, acerta. Sua fala mansa talvez entre melhor nos ouvidos viciados da boleirada. Não sei.

Gabriel Jesus fez ontem o que ainda não tinha feito. Ou eu ainda não tinha visto deste jogador. Chegou a recuperar um toque que julguei perdido no futebol brasileiro. Dois golaços. O primeiro com um toque genial, surpreendendo goleiro e zagueiro. No segundo, outra surpresa genial, quando todos esperavam mais um toque para uma aproximação melhor dentro da área. Decide pelo chute inesperado exerça o que parecia improvável.

Muito cedo para dizer que a Seleção acertou. Mas não dá pra negar que com Tite foi outra coisa. Queira Deus que seja isso. Todos ganhamos com isso. Inclusive o Coritiba. Muito de longe conseguimos uma rebarba numa provável redenção do futebol brasileiro, se é que vai haver.

Eu que há anos andava descrente e desinteressado com a Seleção, confesso, que senti uma pontinha de orgulho em ver principalmente os dois gols de Gabriel Jesus com uma vitória incontestável na altitude do Equador, até então líder das eliminatórias.

Que o espírito de Tite encarne em Carpegiani, que Gabriel Jesus inspire Kleber, Kazim ou Berola. Que Iago seja o mesmo salvador que anda nos dando o que há anos clamamos: o iluminado das horas difíceis, como vem fazendo. O ídolo, mesmo que ainda embrionário, mas que já nos dá alguma alegria. Que tenhamos daqui pra frente, um Coritiba inspirado neste time de 89, quando Edú só distribuía camisa no vestiário. Que Carpegiani e nós torcedores, possamos ter um pouco de sossego, com mais alegrias do que preocupação e tristezas.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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