Urrando, rugindo uma conquista
Dirceu Krueger, nosso maior ídolo, nosso maior jogador nestes 108 anos de história. Junto com ele ou logo atrás dele, muitos outros nomes disputam este espaço. Seguramente daria para eleger pelo menos mais uns dez outros atletas iguais ou que fizeram uma história semelhante a de Krueger no Coritiba. Mas ninguém com o carisma do flecha loira. Por isso, Krueger e o que mais representa esta comunhão de torcida e clube de futebol. Como poucos, para chegar a ter uma estátua em frente ao estádio onde sempre jogou, que escolheu para ser como se fosse sua casa. A imagem de Krueger eterniza toda esta história.
Nossa casa que foi emprestada e violada neste fim de semana. Desrespeitada e humilhada, por quem nada sabe sobre isso tudo.
Agindo como animal que alcança sua presa, se apossa do prêmio e exibe como troféu. Urrando como um troglodita, ainda urina como fazem os bichos para demarcar território conquistado. Se não isso, o que seria então o idiota do torcedor naquela atitude troglodita? Denegrir e humilhar uma imagem cara a toda a torcida Coxa- Branca?
Passei horas tentando arrumar classificação para esta atitude, que partiu não só de um torcedor, mas de um grupo de torcedores do time da Vila que, cercavam e aplaudiam a atitude, agindo igualmente como animais em total descontrole.
A cena é tão sem propósito que fica mesmo difícil classificar, se não for com esta leitura.
Além de mexer com o maior ídolo do clube, Krueger é uma instituição como disse, simboliza muito mais que um ex-jogador do clube, se é que conseguem me entender. Dirceu Krueger é sagrado nesta instituição.
A compreensão humana não tolera e não pode mais aceitar atitudes como esta.
Fica ainda mais difícil entender quando você lembra que o agressor estava no papel de visitante, convidado para uma festa, promovida numa casa que não é dele. A casa foi cedida, emprestada, numa infeliz decisão da diretoria Coxa, que em desacordo com 100% da torcida, decide andar na contramão e empresta seu estádio num momento pra lá de inoportuno.
A diretoria do Paraná Clube deve um pedido de desculpas à torcida Coxa. O cidadão em questão precisa ser identificado e punido por sua diretoria. É o mínimo que deve fazer o time da Vila.
O futebol brasileiro está cheio de casos como este, que sempre são creditados a uma meia dúzia de torcedores, mas que acabam se desdobrando em casos ainda mais violentos e que geralmente não terminam bem. E estes grupos vão se enraizando cada vez mais, deixando o futebol ainda mais violento. Criando situações de revide, de olho por olho, dente por dente.
Esta meia dúzia, ou casos isolados, como preferem chamar, já passaram da conta e faz tempo. É chegada a hora de alguém se responsabilizar por estes descontrolados torcedores.
Principalmente na situação do Paraná, de primo pobre, ainda sem casa para urrar suas conquistas. Vale lembrar que quem não sabe se comportar na casa dos outros não volta uma segunda vez.
Aos senhores dirigentes do Coritiba, fica mais uma vez a demonstração da enorme capacidade de se superar, em mais uma de suas decisões magníficas, onde 100% da torcida queria o contrário. Se fosse consultada antes, talvez esta infeliz exposição tivesse sido evitada.
Não tivesse sido com Krueger, a falta de educação poderia passar em branco, com apenas alguns protestos. Mas não foi, desrespeitaram agrediram o maior ídolo da história do Coritiba, numa homenagem feita com amor onde a iniciativa partiu exclusivamente de seus admiradores.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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