“Zona de finalização”?
A diferença entre nós torcedores é que António é profissional e nós não. Queremos vencer sempre e ele, pelo jeito, não. Em alguns momentos é preciso treinar melhor os caminhos pra chegar até a vitória. Se para ele neste momento chegar à “zona de finalização”, mas não fizer gol está bom, e isso faz parte do planejamento de uma partida, então temos uma gritante diferença entre nossos interesses e necessidades do treinador.
Mesmo que isso tudo faça apenas parte de um período de testes e de avaliações, então o objetivo do futebol foi modificado e não me avisaram. O espírito da vitória, de ganhar mesmo em treino, em par ou ímpar, em disputa de bolinha de gude, está na alma do ser humano.
A estratégia necessária no planejamento do futebol moderno, anda tomando o caminho do jogo de xadrez. Na minha cabeça não entra este conceito de “fizemos um primeiro tempo dentro do planejamento para esta partida”, jogando mal sem que tenha chutado uma bola no gol adversário. O problema fica maior quando o adversário é inferior tecnicamente, mesmo que seja numa partida de xadrez. No caso de ontem, contra o Cianorte, não só pela proposta tática, mas já torci o nariz logo que vi a escalação, com pouca ou nenhuma ousadia de criação para ir além da linha da “zona de finalização”.
Que o Coritiba não jogou com três volantes eu sei. Só não entendo porque Bernardo e Bruno juntos. Aliás, mais precisamente Bernardo, Bruno e Farias, outra peça que não anda correspondendo. Dos três, apenas um ainda pode ser uma promessa.
Não inventa Antônio. Teu time já disse que tamanho tem. Siga com o time titular, sem experiências que não cabem mais. Do lado de cá, na arquibancada, já entendemos todo o elenco, com suas valências e limitações. Você também já entendeu, espero.
Perder atletiba não é tarefa fácil de ser aceita, mas espero no mínimo um time pra cima e por uma razão simples: precisamos vencer pra passar eles na classificação. Se mais uma vez só chegar à “zona de finalização” estará bom pra você, já sabemos o resultado que terá. Não creio em testes em jogo importante como o de domingo.
Disputamos um campeonato regional, temos ainda um torneio pela frente e logo o brasileirão. Para o Campeonato Regional não dá pra aceitar outro resultado que não seja o título. Na Copa do Brasil, no mínimo uma classificação melhor do que tivemos nos últimos anos e no brasileirão quem sabe uma sul - americana, com um pouco de sorte talvez uma vaga na Libertadores. Estamos alguns degraus acima em relação a anos anteriores. Nem de longe espero um ano de sofrimento, na briga pela parte de baixo da competição.
Contra o Azuris o empate teve gosto de derrota, contra o Rio Branco, uma vitória com gosto de empate. A torcida do Coritiba é mal acostumada e o prazo para acertos se esgota agora.
Por um Atletiba no mínimo com uma partida convincente, independente de resultado, se é que não estou pedindo muito?
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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