A outra lição de 2009
Assim vejo parte da torcida do Coritiba, que assiste a vaca caminhando em direção ao brejo (aliás, expressão muito usada por aqui ultimamente). Também acho que este tem sido o caminho, mas também acho que não esgotamos as últimas tentativas. Por isso, ainda faço parte do time dos que acreditam. Não no time que anda jogando e nos deram pra torcer. Coisa de maluco ou não, acredito numa força que ainda não foi usada em toda a sua potencialidade.
Não se trata de colocar nas costas da torcida a responsabilidade de carregar o time mais uma vez, como já disseram por aqui. É apenas mais uma demonstração de amor pelo clube, não por este grupo que aí está, mas pela instituição Coritiba.
Enquanto enxergar possibilidades, não desisto. Também não compactuo da ideia dos medrosos que temem um estádio cheio, com medo de mais uma invasão - no caso de uma derrota - lembrando as cenas inesquecíveis e lamentáveis de dezembro de 2009, que jamais sairão de nossas memórias.
Como também não acho que mesmo com 40 mil pessoas, lotando, entupindo o Couto, num coro de “pra cima deles, verdão”, seja a solução daqui pra frente, nestes jogos que temos em casa.
Meus amigos, de derrotados já temos um time, uma equipe inteira não só de jogadores, mas de administradores que não conseguiram um passo à frente em 7 meses de trabalho. Pelo contrário, só retrocederam. De derrotados já temos muita gente. Alguns que começaram este trabalho e que não conseguiram terminar, e já se foram.
Sobramos nós, espero que não seja para apagar a luz. Luz que também não vejo no fim do túnel, mas que deve estar em algum lugar. Pelo menos é no que acredito. Preciso acreditar!
A luz que pode estar na energia da torcida berrando na orelha destes caras que vestem o manto sagrado e ainda não entenderam que não se trata apenas de um time de futebol, mas de um amor profundo que temos por ele. E por isso, às vezes fazemos loucuras, como a que proponho para os dois próximos jogos em casa. Que nossos dirigentes coloquem os ingressos a preços acessíveis. Desta forma a torcida dará seu apoio em mais uma partida em casa e mostrará a estes caras quem somos de fato.
Pode não dar em nada? Provavelmente, mas fizemos a nossa parte. Sensação de missão cumprida, de dever feito, e de cabeça erguida para cobrar enquanto ainda há tempo.
Acredito em energias. Nas boas e nas ruins. Enquanto eles se desgastam com as ruins, precisamos nos ater com as boas. Levá-las numa romaria ao Couto em nosso próximo jogo. E com ela tentar se sobrepor a tudo de ruim que anda à nossa volta. É só o que nos resta.
Curiosamente, de 2009 temos uma outra lição para aprender que poucos os derrotados não conseguem ver: a garra e a determinação que o Fluminense teve numa recuperação que ninguém acreditava. Nem a matemática. De desacreditado e rebaixado, passou por nós e por muitos outros (bem mais fortes) e se manteve na divisão de elite numa campanha que foi pra história dos brasileiros. É verdade que com um time bem melhor que o que temos, mas quem sabe também não possamos fazer o mesmo. Ainda dá, mas precisa ser agora. Não dá pra esperar, não! E esta força está na torcida que pode fazer o seu papel como fez em muitas outras oportunidades.
Torcedor Coxa, e senhores diretores: não experimentem a sensação do gosto amargo de ter sido rebaixado e não ter torcido ou feito algo a mais para tentar reverter as coisas. Vá até o fim!
SAV
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (14)
