A pérola de Galdezani
Como se tivesse feito uma descoberta, como se tivesse dormido e acordado com a solução, Galdezani largou a pérola, pra irritar ainda mais a torcida, pelo menos a mim.
“Todos os jogos são difíceis”, disse ele. “A gente precisa rever nossas falhas para fazer a nossa parte na próxima partida. Nós somos o mandante, temos a obrigação de ganhar dentro de casa e jogar bem. É isso que vai fazer com que possamos subir na tabela”, disse Galdezani em entrevista à Rádio Banda B, segundo publicação na Tribuna do Paraná, na edição desta quarta-feira.
Disse mais - Durante os primeiros 15 minutos fazer o primeiro gol. Vai ser um jogo difícil. Estamos jogando dentro de casa e a obrigação é nossa de ganhar.
Meu caro Galdezani, a torcida já não acredita mais em vocês. Até acho que pode haver a boa intenção (em alguns casos), mas a má vontade e a falta de compromisso parece ser geral e ficou clara na última rodada. Esta conversa de somos os mandantes, precisamos rever nossas falhas??? Mas já não viram estas falhas? Só agora perceberam que estão falhando? Só agora descobriram que as coisas estão erradas?
Vocês são filhos de nossos dirigentes. O futebol que vocês andam jogando é a cara da pouca vergonha que corre pelos porões do Alto da Glória. Pouca vergonha quer dizer : não ter vergonha ou quase nenhuma, do que vocês andam fazendo. E isso causa ao torcedor muita vergonha de torcer por vocês. Entenda, Galdezani, a esta altura, torcemos pelo Coritiba, não por vocês. Mas como formam o time que nos deram pra torcer, torcemos para que vocês acertem (em algum momento) e tirem o nosso clube desta situação que vocês e dirigentes nos meteram.
Você chegou agora, mas tá todo mundo de saco cheio com tudo isso. São 5 anos nesta draga. Nem falo em sonhar alto, como já fizemos em anos anteriores.
Pra você dar a cara pra bater e se expor numa entrevista, e dizer isto, imagino que de sua parte até haja boa fé, mas isso não basta, Galdezani. Talvez você e seus companheiros não alcancem o que quero dizer, mas neste momento, para convencer a torcida do contrário, é necessário sangue correndo pelas veias, já que futebol não é possível esperar de vocês. É preciso sangue, amor ao trabalho - não ser só apenas assíduo nos treinos , jogar fim de semana - vocês estão cumprindo tabela, estão cumprindo contrato com o clube, esperando o tempo passar e no final do ano procurarem um outro clube e nos deixarem na segunda divisão com todas as suas consequências.
Estou falando de amor a um clube, Galdezani. Não deveria perder meu tempo falando disso pra vocês, afinal são profissionais e trocam dinheiro por trabalho. Estou falando do mesmo amor a um clube, que quando você foi criança, deve ter experimentado.
Não estou te cobrando este comprometimento. Amor por clube de futebol é coisa de torcedor. Também não posso cobrar futebol, porque isso também não é possível. Temos dois problemas: o primeiro de quem formou este time que são vocês, achando que pudesse ser classificado, chamado de um bom time de futebol. Faz tempo que sabemos que não é.
O segundo problema está em vocês mesmos, que acham que isso tudo que você diz acima é possível, querendo nos convencer na segunda rodada do Brasileiro, depois de 20 rodadas, que agora a coisa vai, descobriram que estão errando e os erros serão corrigidos e tudo vai mudar?!
Primeiro trabalhem como nunca, sintam o peso desta camisa, depois a gente conversa sobre acreditar em vocês.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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