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ArquibancadaSergio Brandão

A superação que ainda não veio

Perdi um tempinho da tarde deste domingo com um pedaço da primeira partida entre Cascavel e Operário, os dois algozes Coxa nesta reta final do Paranaense, que nesta semifinal fizeram um jogo de nível que esperava de dois “gigantes”.

Duas constatações: o goleiro do Cascavel não parece ser tudo que mostrou nas duas partidas que lembro dele, quando esteve em confronto com o Coritiba. A primeira quando ainda defendia o Toledo, num longínquo Campeonato Paranaense e agora pelo Cascavel, na segunda partida das quartas de final, impedindo as inúmeras tentativas do Coritiba de chegar ao gol, todas frustradas e que tiveram André Luiz como o grande protagonista, sendo indiscutivelmente o "cara do jogo".

Coisa que me colocou pra pensar depois de ontem. O que explica, não só a atuação de goleiros, mas em muitos casos de atletas considerados de segunda linha, com atuações acima da média em partidas contra times grandes, ou de clubes considerados maiores? Onde está esta força, a superação que colocam nestas partidas? A busca de um lugar ao sol, a gana de mostrar que também são capazes, a superação? O problema é que geralmente não passam de atuações isoladas, que ficam somente naquele momento.

Ontem, o único gol do Operário, foi um presente de André Luiz. Uma batida de roupa que recolocou, mesmo que por pouco tempo, o Operário no jogo. De resto, o goleiro do time do Oeste, não foi mais exigido. Parece ter jogado tudo apenas contra o Coritiba. Assim como seus companheiros de time, que assim que chagaram ao segundo gol, usaram a catimba, arma usada no Couto Pereira contra o Coritiba, mas desta vez em casa em seu domínio.

O Operário agora precisa reverter o placar na partida de sábado, em casa. Outro que de pit bull, quando enfrentou o Coritiba no germano Kriguer, na última rodada da primeira fase, voltou ao seu tamanho original de time de Série C.

Desabafo de perdedor? Sim, mas com muita realidade. Se o texto acima - principalmente os dois primeiros parágrafos fossem escritos por um crítico de futebol e não por um torcedor, teria seu sentido e caberia muito bem para abertura de uma discussão sobre os menores que crescem quando acuados e se sentem pressionados no confronto com clubes maiores, fazendo das tripas coração.

Uma constatação que julgo ser necessária e até de hábito nas preleções dos ditos clubes grandes. Coisa que tenho certeza, não foi sequer lembrada nas conversas entre elenco e comando técnico do Coritiba na semana que antecedeu as partidas contra Operário e Cascavel. Por pura soberba do seu comandante técnico, exaustivamente escancarada nas coletivas e quando dão palco a António Oliveira. A superação de Operário e Cascavel, seguramente não estava nos planos ou nos sonhos do treinador Coxa.

Não que houvesse supremacia do Coritiba sobre os dois adversários. Pelo contrário, até que provem contrário, os três estão nivelados. Não os clubes, mas os times atuais, com ligeira superioridade Coxa que foi igualada e, nestes casos foi superada e ainda não prevaleceu. Me refiro a uma frase que marcou o início dos trabalhos desta gestão do atual G5 que comanda o Coritiba: “nem que seja preciso morder o alambrado, mas queremos ver raça”.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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