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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

A torcida, sempre a torcida...

Quantas vezes a torcida deixou de lado a mágoa e até a raiva e voltou ao Couto Pereira, acreditando, mesmo quando tudo parecia perdido?

Mexendo em meus arquivos, caí num vídeo que fiz na chegada do time ao Couto, na decisão, no atletiba do ano passado. Aquela decisão onde perdemos na Arena e em casa, no Couto. A recepção preparada pela torcida é mesmo comovente. Parecia ser uma torcida que acreditava na virada de placar. Aquilo foi contagiante. Só quem viu pra se arrepiar e ainda hoje, passado um ano e meio, se arrepiar novamente. Mas também não dá para esquecer que em campo o que se viu naquele dia, foi um time covarde, desarrumado, e sem pegada alguma para virar o jogo. Na verdade nada muito distante do que vemos hoje, embora o time seja outro, com quase 100% de mudança.

E assim foram dezenas de outras vezes. Principalmente se recuperarmos a nossa história recente - dos últimos 5 anos.

A história se repete, mesmo com um time diferente, com jogadores diferentes. O que me leva a acreditar no que ando insistindo já há algum tempo : nosso time se contamina pela incompetência de nossos dirigentes. Um é a cara do outro.

Mesmo com um elenco todo modificado, ainda conseguimos os vexames de sempre. E olha que não precisa ser muito exigente. Qualquer conhecedor de futebol dirá que se não temos um bom time, pelo menos não deveria estar onde está, na penúltima posição do Brasileirão. A explicação está mesmo no comando disso tudo. Um departamento de futebol onde o diretor maior arremessa lata de lixo na torcida. E que diante disso, ele é apenas advertido por um presidente sem comando, sem pulso, sem poder... assim caminha nosso futebol, sem nenhuma qualidade.

Agora, por estes dias, nem esta conversa de “torcida jogando junto”, pega mais. As arquibancadas estão cada vez mais vazias. Não só como consequência do ridículo futebol que temos jogado, mas agora com a ajuda das declarações de alguns jogadores, como na coletiva onde Alan Santos diz que a torcida mais atrapalha do que ajuda. Culpar a torcida era só o que faltava.

As declarações são tão absurdas que não merecem mais uma linha neste texto. Como também não merece avaliar o futebol que andam jogando porque todos sabemos bem o que cada um pode dar. E o que estão dando é pouco para tirar o Coritiba desta situação.

Logo, mais adiante, no próximo resultado negativo em casa, dirão que o casal de quero-quero também atrapalha. Até o grito do sorveteiro, lá na arquibancada, atrapalha os nossos dedicados e talentosos atletas.

Sim, este time virou piada, não se dá ao respeito e agora abre sua caixinha de desculpas para justificar fracassos.

Muitos torcedores já debandaram e não voltam mais. Outros resistem bravamente e ainda se permitem ir a alguns jogos. Ainda restam os incondicionais, que com chuva, com derrota, nas apresentações dignas de piedade, ainda estão lá. E mesmo assim, ouvem estas pérolas desrespeitosas, destas criaturas que ainda não entenderam o que é vestir uma camisa com a tradição do Coritiba.

Lembro que até recentemente, nos anos 80 e 90, cada um dos novos atletas recém- chegados, eram apresentados à história gloriosa do Coritiba. Recebiam como cartão de visitas, um vídeo acompanhado por um texto, com resumo do passado Alviverde.

O texto acima se parece muito com outros tantos que já publiquei, reclamando e chorando, pedindo clemência. Não muda muito, eu sei. Mas enquanto houver paciência, estarei aqui, na torcida para que estas reclamações e choradeira sejam ouvidas por atletas e dirigentes, na esperança de contribuir com algo. E que com um pouco de sorte eles nos indiquem a mudança de rumo, o caminho contrário deste desastroso momento que vive o Coritiba.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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