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ArquibancadaSergio Brandão

Abram os portões do Couto!

Há duas semanas, olhei para a tabela e vi esta situação que temos pela frente com dois jogos em casa, contra Corinthians e Goiás. Imaginei o Couto cheio, empurrando o time. Achei que só assim, algo pode ser produzido em campo.

Na minha inocência, achei que a famosa diferença que sempre houve com jogos em casa, poderia renascer nestes jogos no Couto. Seriam seis pontos fundamentais para nos dar folego novo e um pouco de esperança. Isso teria um efeito positivo e quem sabe o time acharia o caminho da vitória. No mesmo instante escrevi ao presidente Rogério Bacellar, sugerindo mais ou menos o que escrevo abaixo, mas até agora nem resposta e nem sinal do que sugeri.

O exemplo vem de uma promoção que fez o Paraná Clube com uma frase, uma única frase de uma campanha inteligente e que deveria ser copiada por nós. Um texto muito forte, um chamamento à torcida: NÃO É PROMOÇÃO DE INGRESSOS, É UM PEDIDO DE DESCULPAS”. Tudo que queremos agora é um pedido de desculpas. Um “mea - culpa”. Sem as desculpas de sempre que já não servem mais.

“NÃO SE TRATA DE PROMOÇÃO DE INGRESSO, É UM PEDIDO DE DESCULPAS". Esta campanha atraiu o torcedor ao jogo entre Paraná e Vitória, colocando quase 9 mil pessoas na Vila Capanema. Com ingressos a 10 reais, o torcedor que não passava de 1.500 em média, apareceu.

Foi um pedido de desculpas que soou como um afago, um gesto humilde que coloca as coisas no lugar. Assumir o erro e pedir desculpas não é pra qualquer um. Um gesto humilde que acima de tudo é um sinal de respeito ao torcedor. É o que todos esperamos também da diretoria do Coritiba, imagino eu.

Do contrário, com ingressos a 100 reais, o valor é alto. Pedir isso ao torcedor que já dá alma, não é inteligente. Além do mais, isso está completamente fora do contexto nacional, quando o sagrado dinheiro está cada vez mais difícil.

A diretoria precisa rever seus valores e colocar ordem nas muitas prioridades. O que pesa mais neste momento? Continuar fazendo de conta que nada está acontecendo, e seguir com este comportamento de time grande, cobrando ingressos, ou mensalidade a preços absurdos, oferecendo para consumo um produto medíocre? Hoje até os grandes clubes estão chamando o torcedor para o seu lado, conseguindo encher estádios com promoções de fato condizentes com o momento que vivem. E olha que nem São Paulo, nem Flamengo estão jogando a “bolinha” que nós estamos jogando.

Não tenho e menor dúvida que com o Couto cheio nos dois próximos jogos que temos em casa - com ingressos a 10 reais - por exemplo, renovariam esta relação torcida/time e faria de fato a diferença.

Para isso acontecer, a diretoria primeiro precisa calçar as sandálias da humildade reconhecendo erros. Abrir mão desta obstinada matemática de lucros, de tirar o clube de monstruosa divida, visando apenas dinheiro (a qualquer preço) quando deveria se concentrar primeiro em tentar tirar o time desta situação.

Para o momento, cabe apenas uma ação: estratégias de marketing, promoção de novos sócios, parcerias, novos patrocinadores, são metas e estratégias para manter o clube respirando financeiramente, sim, mas agora, vocês já sabem que sem um time competitivo, não terão retorno da torcida. Precisam no mínimo livrar a instituição Coritiba desta situação de vexame que vocês o colocaram.

Abram os portões, cobrem 5, ou 10 reais, chamem o torcedor e verão um Couto cheio, com uma torcida apaixonada empurrando um time desacreditado.
Experimentem e verão. Coragem, senhores!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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