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ArquibancadaSergio Brandão

Acorda, presidente!

A turma lá de dentro parece ainda não ter acordado para a gravidade do problema. Parece não entender direito o que se passa. Vai dos discursos absurdos de Ney Franco, ao comportamento de dirigentes, em especial a posição absurda colocada nesta manhã, em entrevista na Gazeta do Povo, concedida pelo presidente do clube, Rogério Bacellar. Se a situação é delicada, muito difícil de ser revertida em campo, com o time ainda não tendo convencido desde o começo do ano, parece não ser nestas partidas decisivas que vai começar a jogar o que precisa jogar.

Mesmo assim, repito o que já disse aqui em outras oportunidades: o time do Coritiba e a torcida precisam ser levados no colo nesta reta final. O time carregado pela torcida, e a torcida pela diretoria. Mas antes, parece ser necessário um estudo sociológico dos dirigentes, para que entendam o íntimo do torcedor, um ser movido pela paixão em 100%. Todos os dirigentes parecem estar começando agora no futebol e não conseguem entender que o torcedor é a figura principal desta cena toda, e se não for tratado com respeito, se rebela e da forma mais simples possível, some.

E este entendimento, parece estar longe do presidente, Rogério Bacellar. Pelo menos foi o que demostrou no espaço que lhe foi dado numa entrevista publicada hoje, na Gazeta do Povo, quando responsabiliza a torcida pelo atraso no pagamento dos salários dos jogadores. Acho no mínimo pouco inteligente e perigoso fazer isso, agora, neste momento extramente delicado que vive o clube, meu caro presidente.

Dizer que os salários estão atrasados, porque dos quase 25 mil sócios, muitos debandaram, e com isso enfraqueceram os cofres do clube? Então sai e nos dê a chave do seu gabinete, meu caro presidente, que tentaremos resolver isso com quem sabe como fazer, dr. Rogério Bacellar.

Além de ter lhe faltado a sutileza necessária para tratar de um assunto assim, tão delicado, principalmente neste momento, o senhor faz o papel inverso. Agora, com dois jogos em casa, cobra da torcida uma responsabilidade que é sua. Ou o senhor acha que é bacana, numa época destas, de dinheiro curto para todo mundo, financiar incompetência? Pagar altos salários a quem não merece? É no mínimo revoltante, meu caro presidente. Pagar Kléber, Marcos Aurélio, Ruy, Galhardo, Lúcio Flávio, Paulinho, Keirrissom, e tantos outros, é não respeitar o dinheiro que sai com sacrifício do bolso do torcedor, senhor presidente.

Eu, assim como poucos, ainda mantenho o pagamento das mensalidades, mas com total desaprovação a tudo que o senhor anda fazendo aí dentro.

Suas ou não, as responsabilidades precisam ser assumidas. E agora mais do que nunca, se o senhor ainda não percebeu, o momento é de arrumar este dinheiro à qualquer preço e pagar esta gente. Não que eles mereçam, mas porque são trabalhadores e só trocam trabalho por dinheiro. Alguém os trouxe e precisam ser pagos. Mesmo que não tenham feito nada para merecer o que recebem. O problema não é deles, nem da torcida, é de quem os trouxe, presidente. Se fazem ou não do que precisa ser feito, esta é uma outra questão. Mas parece claro que os últimos insucessos batem à nossa porta também por conta desta questão salarial, o senhor sabe disso.

Leio na entrevista que o senhor concede à Gazeta, que a direção do Coritiba ainda espera pelo pagamento das mensalidades atrasadas para quitar suas dívidas com os atletas. Quando isso acontecer- se acontecer- será tarde e os dois jogos em casa, (São Paulo e Figueirense ), já terão acontecido e teremos certamente perdido mais seis pontos. Aí, meu caro presidente, será tarde.

Este é um problema seu. O senhor é presidente. O senhor precisa honrar seus compromissos. Se não for assim, e não tiver outro caminho que esse anunciado pelo senhor, então saia e passe a bola!

A sua conversa e a dos demais dirigentes e presidentes anteriores , subestimam a minha Inteligência e isso chega a ser irritante. Façam o que se propuseram. Resolvam, tirem o Coritiba desta situação em que vocês o colocaram.

Depois, quando passar esta crise, podemos conversar e lhe ajudar a resolver estes problemas. Os sócios devem voltar e o dinheiro volta a entrar com mais facilidade. Mas da forma como vocês estão fazendo, só conseguem espantar ainda mais sócios e torcedores.

Os salários precisam ser pagos ainda hoje, presidente. O problema é seu, O senhor é presidente. Não nos decepcione mais ainda.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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