Acorda presidente!
Não que Kleber seja inquestionável. Só porque parece ser o cara que chama a responsabilidade, o único que se incomoda quando as coisas não funcionam (quase sempre), reclama, corre, briga com os companheiros, dá ordens, dá assistência, é o único que acerta passes. É o único que parece sentir o mesmo que todos nós torcedores que nada podemos fazer, a não ser reclamar.
Mesmo veterano, já longe de ter a explosão que teve em seus melhores dias, sem dúvida Kleber é a única inteligência que temos em campo. De resto, parece que não há mesmo treinador que mude o rumo da barca à deriva. Muito provavelmente é por isso que a diretoria Coxa não quer afastar Pachequinho e trazer outro treinador. Porque sabe que com o que tem em seu elenco, quase nada ou nada pode ser feito. Erraram feio montando este time e agora pouco pode ser feito. Remontar o time agora é um risco maior ainda. O Coritiba já não tem mais para onde correr.
Mas também não dá mais para admitir que um time como o do Coritiba, na situação que está, entre em campo, nas condições que entrou contra o Flamengo e não consiga um chute, uma pressão, uma jogada, um lance de perigo.
A torcida que até aqui suportou bem, agora parece ter dado seu primeiro sinal de descontentamento. Finalmente desabafou vaiando, não suportando mais esta santa incompetência instalada, enraizada, impregnada na alma deste time. Embora eu esteja entre os que não consegue vaiar meu time.
Lembro quando Kleber chegou. Foi bastante discutida a vinda de gladiador, que na sequência ficou pior ainda, quando se machucou e com uma contusão séria, ficou muito tempo afastado. Até ali, Kleber tinha jogado apenas uma partida ou duas (Grêmio e Cruzeiro). Pois não é que o cara que ninguém queria deu a volta por cima, abriu mão do salário, se recuperou e hoje é o único que consegue não ser criticado pela maioria, mesmo já com suas limitações físicas e agora técnicas.
Esta discussão sobre melhor em campo, é tiro no pé quando falamos deste time do Coritiba, eu sei. Nos últimos anos, meses, semanas e dias, que se alongam mostrando cada vez mais a incapacidade de resolver todos os seus problemas. Nem os problemas novos criados pela própria diretoria, nem os velhos já bem familiares da torcida.
Nossas referências andam muito baixas. Nossos parâmetros estão abaixo da média. Nosso elenco é pobre. Como pobre é o campeonato brasileiro. Conseguimos ficar abaixo desta média. Somos os pobres mais pobres de todos os pobres.
Sem exageros, vocês sabem disso, caminhamos para o pior. Quando os otimistas como eu, que já se apresentam como pessimistas, arrancam lá do fundo mais um fio de esperança, achando que com um pouco de luz, de ajuda dos santos a coisa pode funcionar, a encrenca acaba ficando pior e tudo se perde de novo. A esperança que já não se achava tão fácil, se afunda goela abaixo e cala qualquer chance do torcedor mais otimista.
Faltando duas rodadas para terminar o primeiro turno, com meu otimismo arrancando a fórceps, consegui projetar um empate agora no meio de semana contra o Vitória, na Bahia, e três pontos contra a Ponte, jogando em casa no fim de semana. Não consegui admitir sequer empate nesta rodada contra o Flamengo. Pois perdemos mais três pontos e junto perdi as esperanças também para os dois próximos jogos restantes que encerram o primeiro turno. Sobra mesmo muito pouco para se agarrar, se apegar e torcer.
Acabo de lembrar do editorial assinado pelo presidente, quando festejava a invencibilidade há alguns jogos, os gols que não tomava sei lá há quantas rodadas. Conversa pra boi dormir. A gente sabia, tanto que a declaração não foi poupada de muitas críticas.
E agora presidente, resta o que para comemorar? Não é por acaso que mais uma vez entramos na zona de rebaixamento. Não gostaria de assustá-lo, mas acho que este ano não teremos a mesma sorte de anos anteriores.
O senhor, presidente Bacellar, está a um passo de ir para a história do clube, se ainda não percebeu. Sim, como o pior presidente da história do Coritiba.
Isto não é intriga de oposição, o senhor sabe disso. Com todo o respeito que ainda consigo ter pelo senhor, peço que faça algo que dignifique a história do seu pai, Dr. Romeu Bacellar, que construiu uma história bonita dentro do Coritiba.
Se o senhor não entendeu, podemos desenhar o que exatamente quis dizer a torcida depois desta derrota para o Flamengo. A história se faz com um fato após o outro. Quando o senhor acordar, pode ser tarde demais e a sua história no Coritiba pode não ser assim tão “Maior” como nos prometeu.
A sua apatia chega a doer, dá nos nervos ver tanta falta de ATITUDE.
Se é que o senhor dá uma passadinha por aqui, sugiro parar com esta conversa de estádio novo, também com esta conversa de invencibilidade, de dívida, de patrimônio etc e tal, e se concentra em tirar o time desta situação. Se o senhor não é capaz de resolver isso, peça ajuda. Depois no ano que vem, o senhor retoma esta conversa de estádio novo, agora não cabe e nem é mais oportuno.
A nossa insatisfação pode ser medida no número de sócios que cai vertiginosamente a cada dia, a cada jogo cada vez menos gente na arquibancada. Se o senhor quiser, também pode dar uma olhadinha nas redes sociais, nos sites que falam do Coritiba, na imprensa... tá tudo em desacordo com o senhor, presidente. E quando é assim, é porque imagino que algo deve estar errado, não é?
O senhor e seu grupo fazem um discurso que faz força contrária à maioria. É bom acordar, antes que seja tarde.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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