Ainda sobre a Chape...
Em 2012 passei um longo período em Chapecó. Uma cidade limpa, organizada, com um povo ligeiramente diferente do resto do país. Não sei se por conta da colonização, mas quase tudo em Chapecó é diferente, inclusive o sotaque.
No futebol, naquela época, ainda prevaleciam Grêmio e Internacional. Andar pelas ruas em dia de GRENAL, dava a impressão de estar numa cidade do interior do Rio Grande, ou até mesmo em Porto Alegre.
Chapecó fica no extremo oeste catarinense, quase na divisa com o Rio Grande, da mesma forma que também está para o Estado do Paraná geograficamente. No entanto, vive as tradições gaúchas como no Rio Grande do Sul.
Vi a “Chape ”, sair da série C para a B, com partidas memoráveis na Arena Condá. Num estádio pequeno, acanhado, mas na época suficiente para abrigar os gremistas e colorados que gostavam de futebol e corriam para as tardes de domingo ou nos meios de semana para ver a Chapecoense jogar.
A região não é rica, tem como vocação econômica a agroindústria. E são estes empresários que bancam há anos o futebol, que ficou profissional, deixando lições a quem quiser aprender como ter muito, gastando pouco.
Agora, quatro anos depois, além de ter conquistado sua identidade, a Chapecoense mobiliza a cidade, uma torcida que é maioria.
Eu só não podia imaginar que em menos de uma semana da publicação do texto acima, toda esta história teria um fim, ou quem sabe um começo. Uma nova história. Doída, mas bonita para ser contada agora de outra forma. Bem mais dolorida que no começo, mas é uma nova história que precisa estar começando.
Estou convencido que Chapecó é uma cidade predestinada, uma cidade que tem como símbolo os desbravadores do oeste catarinense, que continuam desbravando, agora por outros caminhos, de outra forma.
Com vítimas, mártires, mais de 70 ao todo. Pelo menos no futebol, uma das maiores paixões deste país, coube a Chapecoense marcar o fim ou o começo de uma nova história no futebol brasileiro, DEUS queira.
Quando parece que não temos mais fundo de poço para descer, não só no futebol, aparece uma história desta, como se fosse um marco, para terminar uma etapa e começar outra, espero.
Porque seguramente uma história destas não pode ter sido um mero acaso. Alguma lição precisa ficar. Ou para as pessoas inteligentes, alguma coisa precisa ser tirada disso. Estas vidas todas não podem ter ido assim, sem que fique uma lição, um sinal, um aviso. É prudente aos menos envolvidos com estes sinais, que no mínimo a gente pare e repense a vida.
É o mínimo que se pode fazer neste momento. Em respeito aos mortos, ao clube, aos seus torcedores a cidade de Chapecó e a nós mesmos.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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