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ArquibancadaSergio Brandão

Alguém pode me arrumar um limão?

O domingo, 8 de Maio amanheceu carrancudo, feio. Minha cabeça dói, minha barriga também. Me lembrou domingos de clássicos nos anos 60 e 70, quando o tempo em Curitiba era quase sempre assim, o ano todo. E meu estado físico acompanhava a cara do tempo, tamanha era a ansiedade em véspera de jogo.

Naquela época meus domingos, não eram de passeios em parques de mãozinha dada com os pais, mas de bandeira na mão, dentro de um estádio de futebol, com mãe, pai e mais uma turma bem grande.

Os utensílios eram, além da bandeira, almofada, uma capa ou até um guarda-chuva. Antes de entrar no Belfort Duarte, dependendo da importância do jogo, era conveniente passar na igreja da frente e fazer uma prece.

Hoje, chegando ao estádio, lembrei deste ritual. Só que não consegui lembrar de uma única vez que os santos ou a santa (Nossa senhora do Perpetuo Socorro) tivesse operado algum milagre. Não era preciso. Aqueles maravilhosos times montados nas década de 60 e 70, não precisavam de milagres. O Coritiba ganhava ao natural. Os santos ou os deuses do futebol estavam lá dentro de campo nos esperando para mostrar a sua arte de jogar. Ainda esta semana disse aqui que futebol era o que jogavam naquela época, agora deveriam dar outro nome ao que ainda insistem em chamar de futebol.

Há duas semanas em Curitiba, meu filho mais velho, que mora em São José dos Campos, disse agora há pouco, depois do jogo: “Estou em Curitiba há duas semanas e não aguento mais sofrer pelo Coritiba”!

Suar Sangue? Alguns nem molharam a camisa!

Saí do estádio com 20 minutos do segundo tempo, louco por um limão. Minha mãe tem um limoeiro no fundo do quintal. Fui até lá, chacoalhei e trouxe alguns pra casa. Já para a semana toda. Para me juntar a uma turma já conhecida por aqui. Entendam, disse me juntar. Depois retomo meu lugar de otimista, dos que acreditam em milagres, dos que acham que “agora a coisa vai”.

Até ao Mafuz preciso me render. O cara tinha razão. No conjunto, e na atual circunstância, o Atlético foi melhor e levou o título sem que o Coritiba fosse sequer “sparring”.

Não sobra mesmo muita coisa, a não ser pegar um saco de limão e se entupir dele, tomar um porre de limão e se lamentar.

O problema, é que no meio da semana já temos Copa do Brasil e no final da mesma semana a estreia no Brasileiro, e conhecendo o ambiente no Coritiba, sou capaz de apostar que nada mudará, a não ser o discurso.


Bem, mas “bola pra frente”! Não, isso na verdade caberia se houvesse esta possibilidade, mas para um time que joga para os lados quando precisa jogar pra frente, não sobra mesmo muito o que dizer.

Estamos novamente como cachorro, correndo atrás do próprio rabo. Repetimos a mesma história do ano passado, numa outra decisão, com um outro adversário, mas repetindo um mesmo placar, e pior, dentro de casa.

O Couto está virando mesmo a “casa da mãe joana”!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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