Aos cornetas
Isso sempre foi assim, eu sei, mas não lembro de ter visto tanta manifestação negativa antes mesmo do inicio dos trabalhos de uma diretoria que mal se instalou, o que me parece bastante precipitado. A má vontade prevalece. Ou ainda acham que estão em campanha eleitoral, não perceberam que a eleição terminou? Que agora todo o esforço ainda será pouco para tirar o Coritiba deste buraco?
Pior é ver que quase tudo vem da motivação das especulações feitas pela imprensa, que nos últimos anos mais tumultua do que ajuda. E com eles, e seus palpites, seguem sofrendo por antecipação com suas furadas conjecturas. Kady, Thiago Lopes, Rui, Galhardo, já são titulares antes mesmo de acertar contrato com o clube, por exemplo.
É preciso dizer que não participei da campanha de Samir Namur, não votei nele, mas o apoio, por convicções já expressadas em texto anterior, por acreditar que seus caminhos sejam saudáveis ao Coritiba. Se tudo que prega não der certo, a conversa será outra, mas terá meu apoio até que prove contrário. É que não costumo sofrer por antecipação.
Cadê a movimentação inicial pós-eleição que queria impugnar a eleição, tema que ganhou destaque na imprensa e agora, com os ânimos serenados, nada se fala? A imprensa que promoveu todo o barulho agora cessou a bateria contra a chapa eleita.
Parece que a vida desta gente que acaba de chegar ao comando do Coritiba não será mesmo nada fácil. Samir Namur não tem oposição, ganhou adversários. Sandro Forner não terá permissão sequer nem para um pequeno tropeço. Um errinho e será crucificado. Parece que a torcida já sente saudades de Marcelo Oliveira, Pachequinho, Carpegiani, Marquinhos Santos, Ney Franco, todos estes treinadores que de estagiários a experientes estrategistas, sempre foram fracos e nunca serviram. Alex Brasil, Pedroso, Bacelar e Cia parecem ter deixado saudades a uma turma de memória bem curta.
Vai ser preciso muita convicção para lidar com os insatisfeitos. Se blindar para que não contamine o ambiente com o azedume reinante. Para esta turma, nada está bom e nunca estará. Vieram ao mundo com um megafone e a bandeira de protesto empunhada. Gritam, alguns urram, bradam contra tudo e todos.
O time dos azedos, a turma do limão se apresenta ao trabalho. Está aí, antes mesmo que Samir Namur complete uma semana no comando do Coritiba. Sem que Sandro Forner tenha comandado o time em uma partida sequer, sem que tenha conseguido fazer um treino. Sem que o Coritiba tenha ainda um time para colocar em campo.
Dizem os críticos que já sabem onde isso tudo vai parar. Pode até ser, mas me deixe acreditar em dias melhores. Me deixe achar que com esta mudança de dirigentes, a gente terá dias melhores. Afinal, não importa muito o que você e eu achamos. Nossas opiniões nunca serviram mesmo para muita coisa. Independente de nós, prevalecem as opiniões dos que mandam. E como chegaram agora, terão tempo até que se convençam se estão certos ou errados.
Me deixe torcer pelo que quero acreditar que dê certo. Me deixe na ilusão, se prefere assim. O seu direito é de se manifestar. Com uma boa argumentação quem sabe você até me convence. Mas agora, ela se perde e não serve pra nada, porque na prática nada ainda foi feito. Ainda temos muito palpite e nenhum trabalho.
Os azedos de plantão reclamam até do vento que sopra só na curva dos fundos do Couto Pereira. E quando sopra na curva da Amâncio Mouro, tá ruim também. Nada, nunca está bom. Pior, no primeiro sinal de algo diferente, indicando para mudança, parece que se sentem desconfortáveis.
Além dos que já se apresentam para auxiliar de Sandro no comando técnico, tem os que rotulam o presidente, Samir Namur: “este comunista de carteirinha, vai lotear o Couto Pereira, promovendo acampamento sem-terra, atendendo sua ideologia partidária, usando o Coritiba como trampolim político”, dizem alguns deles. São poucos, mas conseguem com estas estas colocações alguma graça, mais do que aqueles que se apresentam sérios, mas alguns também engraçados.
Menos, bem menos, gente. Não precisa ficar quieto, sem se manifestar. É só não fazer tanto barulho. Comporte-se como torcedor/corneta, mas não passe do seu limite.
Deixem os caras trabalhar. Se não pode ajudar, não atrapalhe. Espera dois ou três meses e depois junta suas lamentações e grite quanto quiser. Agora não. Ainda é cedo.
Para infelicidade de muitos, este texto fica aqui, até que outro seja feito. E isso desta vez vai demorar.
Feliz Natal e um ano novo melhor para todos nós!
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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