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ArquibancadaSergio Brandão

As viúvas de Robinho

Robinho tá jogando tudo isso porque tá feliz no Palmeiras, coisa que não acontecia no Coxa, ou só agora consegue jogar o que nunca jogou porque o futebol é assim mesmo, de altos e baixos?

O fato é que hoje, Robinho é o 10 que precisamos, que tanto procuramos e não encontramos mais no mercado da bola. Robinho é o 10 que estava em casa e que vendemos ao vizinho, como quem se desfaz de algo que está sobrando em casa.

Sem medo de errar, hoje Robinho está entre o top 5 do Futebol Brasileiro, e ainda vai dar o que falar neste brasileiro. Fez isso com o São Paulo e fará no restante do ano, aguardem por isso.

No início do ano era possível fazer esta previsão. Pura e simplesmente porque no Coritiba Robinho sempre foi a sombra de Alex. É verdade que mesmo nas chances mais prolongadas que teve, sempre foi de altos e baixos, inseguro, irritando outras tantas vezes com passes errados, perdendo gols escancarados. Tem gente que ainda tem viva a imagem de Robinho perdendo aquele gol debaixo da trave, contra o Grêmio, no Couto, nos tirando uma vitória que seria salvadora naquele momento triste do brasileiro do ano passado.

Terminado o ano, apostei em Robinho e escrevi isso aqui mesmo no blog - em duas oportunidades. É só recuperar no arquivo. Apenas por intuição achei que Robinho mudaria sua história no Coritiba, nesta temporada.

Muitos preferem acreditar que Robinho saiu porque pediu. Na verdade Robinho estava satisfeito no Coritiba e ele mesmo também acreditava que teria um ano melhor. O Palmeiras acabou chegando nos valores que ninguém acreditava e não houve outro jeito: Robinho se foi. O dinheiro foi bem-vindo ao Coritiba e ao jogador.

Não cabe neste momento chorar pelo leite derramado. Mas cabe sim, questionar o planejamento do departamento de Futebol. Se a busca titânica por um 10 seria inevitável, porque não tornaram os dias de Robinho no Coritiba mais atrativos? Sim, se Robinho optou por ir, porque não criaram atrativos para mantê-lo aqui? E isso era um fator muito positivo e motivacional na tentativa da manutenção dele por aqui.

Ainda em Fase de Teste

Avaliando o Coritiba neste momento do paranaense, podemos seguramente dizer que temos mais sorte que juízo. As peças foram se encaixando no esquema que Marquinhos quebra a cabeça para montar. Se antes tínhamos apenas a jogada pela esquerda, com Carlinhos, hoje temos João Paulo, achando nossos atacantes com lançamentos precisos, e ainda Negueba um coringa voluntarioso com muita diversidade no ataque, mas que ainda precisa ser melhor trabalhado. Pra não falar da grata surpresa que vem desde o início com Rafhael Lucas. Estas qualidades do time, acabaram suprimindo um pouco a necessidade de um meia armador.

A partida contra o Paraná seria um bom teste para este novo Coritiba, mas com o time completo. O problema é que Marquinhos Santos indica que vai utilizar o clássico para observar ainda mais alguns jogadores. Além das ausências certas de Negueba , W. Paulista e Norberto, também podem ficar de fora os volantes J. Paulo e Hélder, como também o lateral Carlinhos, a alma do time.

Se isso de fato acontecer, Marquinhos desmonta completamente a estrutura do que ele mesmo teve muito trabalho para montar e acertar. É quase a metade do time sendo trocada, para arriscar o desconhecido, e num clássico importante. Isso passa longe do juízo que julguei que Marquinhos tivesse, se de fato vingar esta informação.

É que uma derrota ou até um empate, contra o Paraná, podem nos tirar da primeira colocação e o projeto de terminar em primeiro esta fase do Paranaense, não será alcançado.

Já não podemos mais nos dar ao luxo de testes - esta fase já passou. A não ser que o departamento de futebol tenha fechado um pacto com a sorte, que mais uma vez vai se sobrepor ao juízo.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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