Até logo(?), Coritiba!
Mesmo com seus 106 anos de história, um dos clubes mais antigos do Brasil, o Coriitba ainda vive internamente, ares de província, lembrando a época dos coronéis de um Brasil Colônia.
O Coritiba, do alto de sua história centenária, ainda engatinha nas mazelas do primitivismo das relações pequenas, de interesses pessoais.
Volta tanto na história, que revive o regime de escravidão, Recuperando lá atrás, o tempo do pelourinho. Conselho e diretores, os coronéis do engenho, e nós torcedores, os escravos. Escravos só por amor mesmo, como disse o amigo Marcus Popini: “um amor não correspondido”. Porque ninguém gosta de apanhar, por mais amor que uma relação tenha.
O Coritiba dos seus 106 anos, das suas glórias contadas pelos mais antigos, a agonizar na UTI da sordidez, da mesquinharia, do jogo sujo, da falta de caráter, da pouca vergonha, da fogueira de vaidades.
O Coritiba que hoje nega sua genética, de nobre do futebol, que um dia já foi, de famílias tradicionais dos seus fundadores abnegados, joga toda esta história no lixo, para viver um personagem de um moleque adolescente, sem juízo e sem respeito por mais ninguém. Um indomável dos gramados.
O jogo político nojento, chega a fazer inveja aos políticos tradicionais, que administram o país.
O Coritiba está acabando e terá seus últimos dias nas mãos desta gente que o comanda. Pelo menos é o caminho que está tomando.
Tenho dito e preciso repetir uma verdade que se confirma cada vez mais: o futebol que jogou nos últimos anos, é a cara de sua administração. Se já não tínhamos motivos para vislumbrar um 2016 melhor, agora, com o recente jogo político feito pelo conselho, e aceito por dirigentes, só me resta acreditar que o câncer não foi extirpado. Pior, com metástase, dando a impressão de uma pequena sobrevida.
Só o amor mesmo para nos trazer até aqui, juntos, mesmo nas horas mais amargas, estivemos juntos. Discutimos, nos estressamos com amigos, discutindo, mas sempre buscando o melhor para o Coritiba. Não deu.
Não há mais necessidade de se alongar em conversas que todos aqui já conhecem muito bem.
Estou me ausentando dos quadros associativos. Meu dinheiro não mais fará parte do orçamento destes administradores do Clube. Não financio mais esta pouca vergonha. Vou mais longe: proponho que todos os sócios façam o mesmo. Assim, quem sabe consigamos a renúncia dos dois maiores problemas do clube: do conselho que tem sua continuidade na cúpula diretiva do clube.
Já enraizado, tomando conta de tudo, fazendo uma máquina funcionar a seu bel prazer. É um sonho, até utópico, eu sei, mas parece ser o que me resta. Agora, a única torcida que consigo ter, é pela renúncia do conselho e dos diretores.
Aproveito este momento de trégua, de férias do futebol, para baixar minha bola.
Seguramente só devo voltar ao estádio, em raros momentos. Não tenho necessidade de ser sócio, pagando minha mensalidade e com isso garantir ingresso aos jogos. Se quiser posso assistir as partidas do Coxa de outra forma, sem me associar, como fiz durante anos, como jornalista quando fui ao Couto, Vila Capanema e Baixada. Até hoje fui sócio apenas para ajudar, não sou mais.
Estarei no estádio quando eu quiser, e não quando o time precisar de mim. Pelo que me conheço, isso vai demorar. Pelo andar das coisas, nossas aparições por aqui, também devem diminuir. Estarei muito mais atento às questões internas do que as do gramado.
Mais uma vez, abraço à todos!
Feliz Natal e um 2016 melhor para nós!
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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