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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Atletiba de uma só bandeira

Atletiba de uma só bandeira
(foto: Maringas Maciel)

Como há muitos anos, o Couto voltou a receber um público digno de seu tamanho. Desta vez não para ver a bola rolar, em mais uma partida de futebol, mas para se solidarizar com uma cidade, uma família, dividir uma dor que deixou o estádio pela primeira vez pequeno, tamanha a emoção ali sentida. Não coube tudo isso dentro daquele espaço.

Mais de 30 mil pessoas, este foi o público estimado, mas o que importa foi o sentimento, a emoção que esteve ali, naquelas poucas horas, aquilo sim foi maior que tudo. Não lembro de ter visto nada parecido, proporcionado pelo futebol, onde três torcidas rivais estivessem juntas, dividindo o mesmo espaço, vestindo cada um a camisa de seu clube, civilizadamente, com um único sentimento.

Coritiba, Atlético e Paraná precisaram de uma tragédia para viverem juntos um momento que pode ser o começo de um novo tempo no futebol. Já era mesmo chegada a hora. A opção da troca de momentos como este, por quebradeiras em terminais e pancadaria é o que precisamos em tempos de cólera.

O exemplo dado por vocês, na noite de ontem, fica com o tamanho da dor deixada pela razão do encontro, e cada um deixou ali o seu melhor.

Não seria um exagero pedir o mesmo no próximo atletiba, por exemplo. Eu não iria tão longe, e pedir que se sentem na mesma arquibancada, cada um vestindo a camisa de seu clube, mas que possam sair do estádio e dividir as mesmas ruas, o mesmo ônibus de volta pra casa, tranquilos, na paz, sem quebradeira, como já foi um dia.

Em nome desta tragédia, onde cada um pagou o seu preço, para alguns um preço irreparável, talvez tenha servido como termômetro para nos mostrar que há tempos o futebol já estava no seu limite de agonia.

A lição fica não só para torcedores, mas para dirigentes e todos os profissionais que vivem dele, do futebol.

Chega! Vamos apagar tudo e começar de novo! Ainda há tempo, ainda cabe uma convivência pacífica, civilizada que nos dê prazer e diversão, com menos ostentação e mais amor, respeito e civilidade.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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