Atletiba depois da novela
Domingo que começa no sábado, com camisas verdes e brancas e vermelhas e pretas pelas ruas, de bandeiras pra fora dos carros, que passam buzinando. De vendedores ambulantes espalhados pelas esquinas próximas ao Couto Pereira.
De cambistas - “direto sem fila”! - diziam eles. Da provocação sadia das torcidas se enfrentando na Boca Maldita, medindo força, mas só no grito, sem força bruta. O atletiba começava no domingo anterior na verdade. As duas torcidas tinham o direito de gritar. Depois, só os vencedores. Os perdedores procuravam no calendário o próximo encontro.
Atlética com a torcida do Atletico desfilando pelo centro da cidade com um elefante recém chegado à Curitiba, vestido de vermelho e preto, que naquele clássico o Coxa venceu com gol de Passarinho, um ponta direita veloz. Durante meses os vermelhos ouviram um canto para nunca mais ser esquecido: "um elefante incomoda muita gente, um passarinho incomoda muito mais”!
Desde que fecharam contrato com o Esporte Interativo, não jogamos mais domingo à tarde. Nossos horários são os da 21:45, 21:30, 19:30, Domingo ou é às 11 da manhã ou às 19:30 horas, mas nunca às 16, horário nobre do futebol aos domingos. Talvez porque não somos mais nobres faz muito tempo. Quem nos comanda hoje, acho que nem sabe o que foi isso e também nunca levou em conta estas histórias.
Lembro de Alex, quando na polêmica entrevista afirmou que a Globo manda e a CBF organiza o Campeonato Brasileiro. É verdade. Acabaram fazendo disso programação de tv.
Hoje, atletiba não só é mais um artigo qualquer, dentro de um calendário sofrível, como ainda virou um produto dentro de uma grade de programação de uma emissora de televisão. Vale menos que a novela das 8, porque precisa começar depois que ela termina.
Para os menos avisados, o primeiro atletiba deste brasileiro de 2016, valendo pela décima segunda rodada, é amanhã, quarta-feira, às 21 horas, no Couto Pereira. Se preferir, o próprio clube anuncia no seu site que o jogo também pode ser visto pelo PFC. Pra eles acho que tanto faz se você vai ao estádio ou vai preferir ficar em casa assistindo pela tv.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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