Caminhos tortos
Estamos divididos em grupos, os mais variados. Os radicais, os que nunca aceitaram Samir, os que apostaram em melhores dias (eu) e os que ainda acreditam, mesmo que isso possa parecer absurdo, com o ano terminado, com nada para comemorar, mas ainda há quem aposte em milagres.
Todos nós somos contemplados com um sentimento de frustração, porque com todas estas decepções, também se vai definitivamente o que já não era bom.
Aqui fica a máxima do “nada está tão ruim que não possa piorar”. Se o pensamento prevalece, então justifica dias ainda piores e faz algum sentido quando uma turma fala em paranização, série C, versão Portuguesa ou a versão Bangu, no estado do Paraná.
Porque houve quem reclamou de Vilson, apostando em Bacellar e agora em Samir. Ainda não aprendemos escolher nossos dirigentes, mesmo que justifiquem estes momentos a um grupo pequeno, de 1.070 eleitores. Um grupo pequeno, sem dúvida, se levarmos em conta o tamanho da torcida Coxa. Mas cadê o resto que se omitiu nas eleições? Precisamos aprender a pagar os preços altos que já pagamos há anos. Quando assumimos a omissão, como neste caso da eleição de 2017, no Coritiba, com um número irrelevante de comparecimento de sócios com direito ao voto.
Pela movimentação de nossos dirigentes agora, em 2019 teremos o mesmo caminho de 2018, 2017, 2016...
Para mudar, o primeiro passo deve estar no que considero um dos maiores problemas de agora. O desaparecimento de um dos maiores patrimônios de um clube de futebol: a sua torcida. Pelo menos é o que vejo. Uma torcida que não abandona, mas que se reserva ao direito de acompanhar à distância, não indo mais ao estádio, abrindo mão de usar a camisa do clube nas ruas, porque para isso, além do amor pelo clube, é preciso também humor e principalmente coragem para não entrar em confusão.
No futuro onde deveria estar o planejamento de uma torcida forte, formando uma nova geração que ocuparia as arquibancadas do Couto a partir de 2025 ou agora, já no ano que vem. Estamos formando uma geração de desinteressados pelo Coxa. Muitos de nós com exemplos de filhos que abrem mão de nos acompanhar aos jogos, porque viramos “caixa de pancada”, e apanhar não é bem o que busca esta geração.
O Coritiba do “futuro” é de um presente sombrio, que apenas no passado foi um clube “maior”.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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