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ArquibancadaSergio Brandão

Camisa 10

A magia da camisa 10 ainda encanta, embora tenha saído de moda no futebol. Fui da geração que viu Pelé, passei por muitos outros até chegar a Zico, Sócrates e ainda vi um outro 10 encantar com seu futebol clássico, limpo e bonito, Alex e Tostão. De dar gosto de ir ao estádio, de fazer a gente ainda usar a expressão “valeu o ingresso”.

Cada um no seu tempo, cada um no seu estilo e não cabe aqui comparações. Por conta de Pelé, nasceu a magia da 10 e isso é indiscutível. A 10 foi feita para os craques. Sugiro que se eternize o número . Já que o goleiro não é mais o 1, o lateral direito não é mais o 4, os zagueiros não são mais a 2 e 3, o lateral esquerdo não é mais o 6, porque não santificam de vez a 10, restringindo o seu uso somente aos craques?

Para vestir a 10 precisaria atender uns requisitos básicos como saber bater na bola de três dedos, fazer ela deslizar pelo peito, assim que dominada, jogar de cabeça erguida, perceber lançamentos que ninguém imaginaria que pudesse ser feito e, acima de tudo, jogar com classe até quando erra pênalti, assim como fez Alex, o último craque com a 10 no Coxa. O 10 que como diziam os antigos, usava smoking pra jogar bola.

Não vejo um 10 com todas estas qualidades de um Alex, por exemplo. Posso citar uns 4 ou 5 que se aproximam, mas só se aproximam. Se você torce o nariz com isso, é porque ainda não viu um clássico 10 jogar.

É verdade que a medida que temos por aqui é o Campeonato Brasileiro, onde o 10 está cada vez mais raro. Os melhores foram embora e jogam longe daqui há muito tempo. Além de sempre ter sido o principal jogador do time, era por isso o mais visado. Sempre aos cuidados de marcação forte. Até hoje, os meias, principalmente os mais talentosos, são os que se machucam com mais gravidade.

Hoje temos Neymar na seleção vestindo a 10, outro craque, mas não é um Pelé. Longe dele.

Nosso 10 é 20, Alisson Farias. Pena que sua qualidade também não é dobro do número que carrega nas costas. Precisamos de um 10, de um 8, de um 3 e de um 9. Quem sabe a esculhambação que fizeram com os números não justifique a falta de qualidade?

Quem sabe esta geração tenha perdido o compromisso de vestir uma 10 eternizada por Pelé. Por Alex e Tostão no Coritiba. Por Hermes na lateral direita, vestindo a 4, depois a 2. De uma nove como fez Chicão. Ou de Nico e Bequinha com a 2 e a 3. O futebol mudou tanto que parece que esqueceram que ele é possível somente com a bola. Isso te parece óbvio? Para muitos parece que não.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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