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ArquibancadaSergio Brandão

Carpegiani x Bonamigo

Fica a sensação de desprezo, passa o ar se superioridade, de arrogância. Mas também como diz meu amigo Ricardo Honório, a imprensa não ajuda. Pelo contrário, parece que faz de tudo para tumultuar ainda mais o ambiente nada favorável quando a água bate acima da bunda nos bastidores do Coritiba, coisa que nos últimos anos é uma constante. De tanto que água bate acima da bunda, há tanto tempo, já criou limo nas duas pernas.

Tudo bem que Carpegiani podia esperar mais um pouco para anunciar sua saída para ano que vem. Claro, fica arrogante esta conversa que “o estadual não é muito a minha praia”, mas o cara está no direito dele. O “ruralzão” é mesmo osso duro e só os fortes resistem. Não pela qualidade. Vocês sabem o que quero dizer com “osso duro”.

Mas também acho que pouco interfere o fato de Carpegiani anunciar sua saída agora. Não acredito que ele ou os seus comandados trabalhem mais ou menos nestas últimas rodadas do brasileiro. Só acho que faltou mesmo respeito pela torcida, falta de envolvimento com o problema crônico que nos incomoda há anos. E só nós é que sabemos o tamanho deste desconforto. Mas aí, caímos no que eu me referi na coluna passada e serve também para os treinadores. Nós somos paixão, eles só profissionais. São dois envolvimentos diferentes. Duas relações antagônicas com um clube de futebol. Raramente há paixão do lado profissional. Não era de se esperar, justamente de Carpegiani, uma declaração de amor eterno ao Coritiba. Seu único erro, na minha opinão, foi ter anunciado a sua saída agora, num momento no mínimo inoportuno.

Mas me permito a duas considerações neste caso. A primeira é o veneno da imprensa. Não acredito que Carpergiane tenha dito isso com a intenção de causar o mau estar que causou. Aposto mais no vazamento da informação. De má intenção de quem passou a notícia pra frente. Principalmente porque mesmo antes da chegada de Carpegiani, se sabia da oposição, do racha entre dirigentes que preferiam Bonamigo. Carpegiani nunca foi unanimidade entre dirigentes e departamento de futebol. Um problema que claramente expõe um outro problema do Coritiba que é falta de comando, de autoridade de Bacellar.

Carpegiani veio pra resolver um problema, não para participar de um projeto inteligente, pensado no futuro do clube.

Mal recebido e em meio a um clube desorganizado, está caindo fora ao final de um trabalho apenas regular, mas que deixa o clube em situação um pouco melhor do que a que ele encontrou.

O problema ainda é o Coritiba e não seus funcionários. O problema ainda é a fogueira de vaidades, as questões pessoais que ainda estão acima do clube.

Com isso, o Coritiba passa a ser clube de recuperação de jogador e comissão técnica. O cara tá meio sumido no mercado, meio desprestigiado, vai pro Coritiba, tenta se arrumar e depois procura um lugar melhor. Assim tem sido.

Enquanto o Coxa estiver nas mãos deste comando desorganizado e apenas preocupado com promoção pessoal, seremos o que somos ainda por algum tempo.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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