Coisa de maluco
Sempre muito respeitoso, seu Ênio era uma boa prosa, mas não tolerava nenhum tipo de intromissão em seu trabalho. Principalmente de torcedor com radinho na mão. Era capaz de ouvir, agradecia, mas sempre fazia do seu modo. Aliás, sempre muito seguro no que fazia e dizia.
Lembrei dele e desta conversa que tivemos, não só porque o assunto agora é treinador, mas porque sou o típico torcedor à moda antiga. Gosto de ouvir radinho enquanto estou no campo, assistindo meu time. Gosto de ver e ouvir. Muito também pelo que acontece ali dentro, que muitas vezes a gente não vê e descongece alguns detalhes.,Este foi um dos argumentos que usei naquela conversa com seu Ênio, que só me olhou e deu um sorrisinho maroto. Meus argumentos não o convenceram.
No domingo, fiz a estreia de um radinho que tinha comprado naquela semana. Eu, meu rádio novo e você - que também esteve lá - saímos do estádio como campeões de 2017. Seu Ênio que não me ouça, mas vou além do radinho.
Tenho muito disso, caneca especial para o café da manhã em dia de jogo importante, camisa, cueca, caminho feito de casa até o estádio, coisas que acho que seu Ênio não entenderia, mas que já se incorporaram a um ritual de jogos considerados importantes.
Enfim, não ousarei ir ao Couto sem meu novo companheiro, até porque logo que foi exigido, se mostrou capaz ... comprei um rádio vitorioso. Um radio que nasceu campeão. Assim como também farei o mesmo caminho de casa ao estádio, a mesma camisa e a mesma cueca.
Muitos de vocês dirão que isso é uma grande bobagem. E é. Também acho, mas não tem jeito. Faz anos que é assim e já desisti de mudar, já há algum tempo. Sentar no mesmo lugar então, é sagrado. Se chegar onde sempre fico e o lugar estiver ocupado, pronto, é derrote na certa. Ainda não cheguei ao absurdo de pedir o lugar e argumentar dizendo ao torcedor que é tudo em nome do Coritiba. Me contento com algum cantinho ali por perto
São os meus ingredientes para uma grande brincadeira que é o futebol na minha vida, desde há muito tempo. Nesta segunda à noite, no jogo contra o Atlético Go, não irei ao campo, se alguém quiser levar meu radinho pra passear, agradecemos.
Aliás, aproveito a citação para fazer uma reclamação: de todos estes horário novos inventados pela CBF, incluindo domingo pela manhã, este de segunda à noite acho o pior. Tolero sábado à noite, meio de semana às 9 e 45, mas segunda à noite, não.
Voltando ao radinho. Seu Ênio, como pode ver, sou um torcedor bem pior do que aquele que o senhor viu em 85, quando até aquela nossa conversa, eu era apenas um rapaz com seus 28 ou 29 anos, funcionário de uma tv, com quem o senhor convivia umas duas ou três vezes por semana.
Torcedor é mesmo um bicho estranho, seu Ênio.
Ah, meu celular não tem rádio. Antes acessava pelo aplicativo de duas rádios. Desisti, tem um atraso no som que é muito irritante.
Quem sabe no final do ano não teremos um radinho bi-campeão brasileiro.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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