Como madame socialite
Sim, não podemos nos iludir com esta trégua. Além de ser de fato um grande jogador, daqui pra frente Juninho despertará mais interesses, caso o Flamengo desista dele e fique com Bruno. Acho que a saída de Juninho é mesmo uma questão de tempo. Resta saber para quem, por quanto e quando. Nossa torcida deve ser para que pelo menos se mantenha até o final do Brasileiro, o que já será um grande lucro. É a lei do de “quem pode mais chora menos”.
Logo, se continuar nesta progressão e continuar jogando o futebol que jogou no sábado, contra o Cruzeiro, Dodô será o próximo a entrar na fila chamando atenção dos grandes. Não para agora, mais adiante, lá pela metade do ano que vem será cobiçado da mesma forma.
O menino mostrou maturidade, empatia, é lutador e acima de tudo e principalmente, sabe jogar futebol e tem tempo para crescer ainda mais. Dodô ainda é um atleta em fase de maturação, que se com 17 anos já encara da forma como encarou a responsabilidade de entrar num time profissional, mais um ano será suficiente para ser considerado pronto.
Juninho e Dodô são as gratas surpresas da base Coxa nos últimos tempos, quando as apostas na verdade tinham outro alvo: Rafael Lucas, Evandro, Thiago Lopes, Dudu e Zé Rafael.
O que na verdade é muito pouco para quem já foi tradicional na revelação de talentos. Pouco para quem já teve mais da metade do time profissional, revelado na base. Ainda temos alguns, mas não do tamanho de Juninho. Aliás, um problema que não é só do Coritiba, mas do futebol brasileiro.
Rafhael Lucas, Zé Rafael, Thiago Lopes, Dudu e Evandro foi só para citar alguns nomes ou os que ganharam mais apostas e projeção. Destes, Rafael Lucas faz sucesso no Goiás, Zé Rafael no Londrina - tendo até o caso curioso de ter pedido para sair, preferindo jogar num clube menor, do que ficar na casa que lhe deu as primeiras chances -. Ingratidão, má gerência?
Dudu ainda não desencantou, assim como Thiago Lopes. Pelo menos eram apostas maiores do que renderam até aqui. Evandro, um iluminado que assim que chegou no profissional, foi de maneira surpreendente. Se revelou com sangue e tino de artilheiro, sempre presente na hora certa no momento certo, inclusive salvando o time de momentos delicados, ano passado. Sumiu, precisa de acompanhamento psicológico, se não, será mais um talento a ser perdido. E isso precisa ser feito agora. Mais adiante, pode ser tarde.
É desta fábrica de craques que sai o nosso principal produto. É deste departamento do clube que sai o dinheiro que mantém toda a estrutura. É neste departamento que está a alma de um clube de futebol. A chamada "BASE" precisa ser olhada de forma diferente, assim como olham o futebol moderno. Onde tudo mudou, mas parece que onde precisava mudar, tudo continua igual, de forma muito rudimentar ainda.
O futebol parece como a madame socialite que passa anos na recauchutagem, se maquiando cuidando das aparências, arrumando a fachada, mas esquece de cuidar dos órgãos vitais. Morre linda, mas muito cedo, sem ter conseguido entrar direito na velhice.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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