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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Companheiros de 'Arquibancada'!

Na década de 50 o futebol brasileiro tinha craque de tudo quanto era jeito. No gramado e fora dele. Os craques que jogavam, e os que falavam dele, do futebol. Os que traduziam o que era feito em campo, mas de uma forma única.

Foram dois times que contaram o verdadeiro surgimento do futebol brasileiro. Não é exagero dizer que Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, Mário Filho, Pelé e Garrincha, deram o caminho ao futebol no país. Nelson Rodrigues, soube traduzir o que Pelé e Garrincha fizeram nos anos 50, 60. Armando, Nelson e Mário Filho, foram nossos únicos cronistas. Nelson deu nome a Pelé. Foi ele que batizou o negão de Rei. Armando romanceou, Mário Filho era genial o suficiente para emprestar o seu nome ao Maracanã.

As crônicas de Nelson Rodrigues tratavam o futebol com uma visão além da arquibancada e do que viam os narradores e comentaristas de rádio. A sequência de crônicas publicadas por Nelson, estão num trabalho organizado por Rui Castro, em 1993 no livro À Sombra das Chuteiras Imortais.

Das 70 crônicas, 31 foram publicadas na Revista Manchete Esportiva. Todas falam de um futebol mais alegre, mais feliz.
Releio em estado de graça este livro. Recomendo a quem gosta de futebol. Quem não viveu esta época, assim como eu, pode acreditar, aquilo era futebol, o de hoje deveria ser chamado de outra coisa.

Fico pensando se esta gente tivesse viva. Se Nelson Rodrigues ainda estivesse vivo. O que escreveria sobre o futebol de hoje? Não sei, não consigo imaginar. Provavelmente falível como todos nós, torcedores. Mas genialmente falível.

Como torcedor do tricolor das laranjeiras, diria que Fred é craque? Que todas as vezes que o Fluminense esteve rebaixado, voltou pela porta da frente? Que nunca foi um clube que se beneficiou das amizades e da força que sempre teve na CBF? Francamente, não sei o que Nelson diria sobre o futebol de hoje. Só sei que torcedor é passional e o time dele está acima de todos os outros. Nelson Rodrigues tinha o dom do texto, da inteligência, ele era além do futebol.

A verdade é que torcedor apenas sente, é passional, não quer saber de falacão sobre seu time. Quando escolhemos torcer por um clube, deveríamos saber que brigaríamos por ele em qualquer circunstância.

Minha filha tem cinco anos. É Coxa, escolheu o time vendo o pai sofrer e se divertir com o Coritiba. Não ensinei, mas aprendeu a colocar o adversário no seu devido lugar. Mesmo com cinco anos, se senta na arquibancada e assiste o que lhe oferecem no gramado. Se emocionou com a despedida de Alex, vibra nos gols, fica feliz nas vitórias... uma torcedora de cinco anos, já completa, pronta para comprar qualquer briga.

Torcedor de futebol me parece ser o cara que nasce com dom para uma profissão. Ou você gosta, ou não. Não tem meio termo.

Dividir a mesma arquibancada, precisa ser como dividir uma casa, num casamento: com divergências, mas com respeito acima de tudo.

Imagino ter sido claro o suficiente e entendido por todos!

SAV

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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