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ArquibancadaSergio Brandão

Complexo de grandeza

Mal ou bem a coisa caminha - longe do time dos sonhos - mas a coisa vai. Pro paranaense tá dando pro gasto. Pro brasileiro, o departamento de futebol dá mostras que trabalha e tenta reforçar o time. Em meio a todas as dificuldades, falta de dinheiro, mão de obra disponível, salários absurdos... assim caminha não só o Coritiba, mas o futebol brasileiro. A gritaria é geral e no mesmo barco todos reclamam das mesmas dificuldades. Por conta disso tudo, seguramente teremos um brasileiro de qualidade técnica mais baixa ainda que em anos anteriores.

Pelo que se desenha nos campeonatos regionais, conseguimos eleger uns 5 ou 6 clubes, com força maior, mesmo assim, nada assustador. Nada que nos impeça de jogar como time pequeno e arrancar um empate dos grandes fora de casa. Parece que é este conceito que tá difícil de aceitar: incomoda ser chamado de TIME PEQUENO. Quem de nós é capaz de engolir isso no seco? Principalmente sendo o que já fomos. A questão passa principalmente pelo momento. Hoje, nacionalmente somos classificados como pequenos, tão pequenos quanto os que nós chamamos de pequenos e achamos que sobre eles somos maiores.

É que sofremos de um complexo de grandeza herdado de idos tempos, mas que é possível retomar. Sugiro esperar a crise da falta de tudo passar, e depois rever estes conceitos e tentar coloca-los no trilho novamente.

O momento é de aglutinar, somar com o que tem e que pode ter neste momento, mas nem pensar em perder o pouco que já temos. Nem pensar em abrir mão de Marquinhos Santos, sondado ultimamente pelo São Paulo. Que Rafhael Lucas continue iluminado e não apareça uma proposta milionária que o leve para longe daqui. Que venha o ilustre desconhecido Thiago Galhardo, artilheiro do Madureira, que venha Neto Berola, que venha Netinho, enfim... todos em nome de um Coritiba em construção.

Assim, de pequenos estagnados - longe dos pequenos de sempre - armazenamos forças e retomamos o crescimento. Quem sabe logo estaremos novamente brigando por vagas pela parte de cima das tabelas de Copa do Brasil e Brasileirão, voltando a sonhar com uma Libertadores da América. Reconquistamos o medo que sempre impusemos aos adversários, fosse em casa ou fora, com grandes ou pequenos.

O Coritiba em construção passa pelo torcedor que está sendo chamado a ajudar. A diretoria faz sua parte. Abre mão das absurdas multas impostas até a semana passada, para reconvocar os que deixaram de contribuir com o clube como sócios, por alguma razão. Novos planos, com dívidas zeradas, são os atrativos para novos e antigos sócios. É o momento de voltar a ter o maior quadro associativo entre os grandes. É o primeiro passo para voltar a ser grande. Relembrando os bons tempos quando a principal receita do clube foi o quadro associativo.

Um grande time não começa com um grande goleiro, não. Aqui, sempre começou pela sua grande e fiel NAÇÃO COXA-BRANCA!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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