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ArquibancadaSergio Brandão

Coritiba das muitas gerações

Exercer o direito ao voto é bom em qualquer eleição. Fazer parte do processo do futuro do Coritiba, é melhor ainda. E colocar uma jovem torcedora, a filha de 13 anos, dentro do processo, é impagável. Porque além de dar ao jovem torcedor este prazer, coloca em sua frente a possibilidade do compromisso com o futuro do clube que escolheu para torcer, com a esperança no futuro. Assim se cria um cidadão, um torcedor Coxa-Branca de 4ª geração. Sem fazer muita força para isso, porque o prazer de ser Coxa nasceu com ela, está no sangue.

Uma história construída em 113 anos, que mesmo diante dos sucessivos fracassos recentes, resiste bravamente graças a este amor de família, com cada uma destas ramificações da nossa árvore genealógica, contando suas peculiaridades, suas histórias, todas diferentes umas das outras, mas sempre trabalhando na construção do Coritiba.

Com o Coxa desde cedo, desde criança, muito antes da internet discada, passando por ela, dos primeiros ídolos aos atuais. Não sou 1909, somos todos desde 1909. Desde os fundadores, que nos trouxeram até aqui.

Sim, uma história gritada nas arquibancadas na nossa casa, o amado Couto, do gigante de cimento armado que resiste aos tempos, às modernas arenas, dividindo num espaço democrático torcedores de todas as idades, e todos nós ainda alimentando aquele friozinho na barriga em dia de jogo em casa.

Chegamos até aqui com uma responsabilidade enorme. Não de decidir, mas de fazer parte, de ter sido chamado a participar deste momento histórico de nosso amado clube.

Tenho em minha vida todos os meus momentos com o Coritiba ao meu lado. Todos emocionais, intensos, às vezes achando que não resistiria. Mas resistimos e bravamente chegamos até aqui, neste inesquecível 31 de maio de 2023.

Nem bisavós, avos, pai e mãe estão aqui, para agora ver este novo passo, esta mudança de patamar que o Coritiba Foot Bal Club alcança, talvez num dos momentos mais importantes de sua gloriosa história.

Por tudo isso, inicio a passagem de bastão. Como os pais que levam seus filhos à urna eletrônica em dia eleição neste país. Levo minha filha Helena e entrego a ela a responsabilidade de digitar nossa senha e votar pelo futuro do Coritiba, acreditando em novos tempos.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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