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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Coritiba investigado

No texto que postei depois do atletiba, ainda dizia que não lembrava de uma sequência assim, tão grande de vitórias do Coritiba. Acompanho este clássico desde os anos 60 e não consigo lembrar de um período assim, tão longo de supremacia absoluta.

Na edição de hoje, tá lá na Gazeta do Povo a tal história. O mais curioso é que a diferença técnica já foi maior em outros tempos, quando as vitórias se alternavam e estiveram equilibradas, com muita alternância de vitorias para os dois lados, durante muitos anos, especialmente nos anos 70 quando o Coritiba tinha times bem superiores e acabava sendo sempre o maior vencedor.

Nosso companheiro Felipe Rauen lembra muito bem o período de Sicupira, no melhor de sua forma, quando ainda tinha a parceira de Nilson Borges. Atletibas difíceis daqueles anos, mas muitos deles, pelo menos a maioria, com vitória Coxa.

A verdade é que nunca se viu, e certamente por conta da proliferação das redes sociais, uma chuva de piadas que ganham cada vez mais força, justamente por conta desta supremacia Coxa nos clássicos.

A gozação é tanta que acabou tirando do sério os mais exaltados e violentos, com manifestações que acabam expondo o time da baixada ainda mais. São vídeos, montagens e piadas, muitas lembrando a “freguesia atleticana” - nos últimos anos TAMBÉM dentro de casa - perdendo clássicos inaugurando estádio, teto, grama, trave, barzinho, gandula novo, presidente novo etc etc etc.

Sem piedade, todos os dias as piadas se renovam e é preciso admitir, uma melhor que a outra. A mais nova é esta que aproveita o momento político, com a nova fase da Lava jato, dando conta que o Coritiba também pode ser investigado na operação, porque tem um “salão de festas” - que diz não ser seu - mas no qual foi gasto uma fortuna para reforma, obra de uma grande empreiteira. O clube garante que não contratou ninguém insistindo em dizer que o salão não é seu. O problema se agrava porque surgiram vídeos que comprovam a utilização do espaço. O vídeo mais recente foi gravado no último fim de semana, onde novamente o Coxa foi flagrado promovendo nova festa, na arquibancada e no campo.

A grande diferença entre os atletibas de antes e os de agora, pode ser medido no frio na barriga que o clássico sempre me provocou. Antes e durante. O nervosismo sempre foi mesmo muito grande. Agora, acho que pela primeira vez, por conta do domínio Coxa durante toda a partida, não consegui ficar nervoso durante o jogo, tamanha foi a superioridade alviverde.

No embarque do time atleticano à Juiz de Fora, onde enfrentam hoje o Flamengo pela Liga, pressão de torcedores e até algumas tentativas de agressão ao grupo que desembarcava no Afonso Pena. Coisas que só um atletiba faz.

Lembro do nosso período da vacas bem magras no ano passado, onde o Coritiba só não caiu por um capricho dos deuses do futebol, mas vencemos o clássico, como também no ano anterior.

Enfim, nada como um atletiba atrás do outro, que muita vezes acabam sendo determinantes, para o restante da temporada, dando ao vencedor o peso, a moral que faltava para seguir sua vida na temporada.

Que venham ainda muitos atletibas!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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