De socialista a ditador
Os mesmos problemas históricos até jurássicos deste do time, são o X da questão. Impossível admitir um time jogando em casa com a apatia mostrada pelo Coritiba nesta estreia, mesmo que se leve em conta o abalo psicológico da decisão do estadual, que certamente deixou marcas no elenco. Mas aí também mora outro problema injustificável: com tantos tropeços e frustrações na recente história deste time, já passou da hora de terem aprendido a se recuperar após cada fracasso.
Resolvido isso, diante do Bahia, onde não é possível esperar outro resultado que não seja novo fracasso, dirão o quê? Os desfalques lamentados por Barroca. A falta que faz Rafinha, Rodolfo que foi substituído, Thiago Lopes e de Giovanni há tempos no DM? Aliás, admitir que Thiago Lopes faz falta, é aceitar a limitação do elenco.
O estoque de desculpas já se esgotou faz tempo e a hora de montar um time com mais qualidade foge do alcance do departamento de futebol. Não só pela incompetência de Pastana, mas pela teimosia e a falta de atitude de Samir - a rainha Elizabeth do futebol paranaense, que de socialista passou a trabalhar em outro regime, sem dar ouvidos aos seus seguidores, que segundo informações vindas de dentro do próprio clube, não encontram apoio nas decisões do regime imposto pelo monarca.
Nunca a contagem regressiva para a saída de um presidente, foi tão acompanhada fortemente. A situação do Coritiba é tão crítica que não há mais a ilusão de que este time tome jeito agora. Aos que esperam alguma coisa, melhores dias são esperados apenas a partir de uma nova gestão. É apenas por isso que a torcida pode esperar neste momento.
Se quando Samir assumiu havia o respeito à austeridade financeira anunciada, hoje se perdeu no seu comportamento de isolamento, quando escolhendo a distância, sem o contato com parte da torcida e do conselho que o acolheu há quase três anos.
Se na época se anunciava um remédio amargo, mas com saneamento das dívidas do clube, tendo com isso que comprometer a qualidade do futebol, mas ao final dos anos a promessa era de entregar o Coritiba ao seu torcedor pronto para o recomeço. Não foi o que aconteceu. Samir não só acabou com o futebol como também tirou o prazer de muitos pelo futebol, afastou torcedores das arquibancadas, não trouxe nenhum título e ainda não resolveu os problemas financeiros do clube. Pelo contrário, a instituição Coritiba se enfia cada vez mais na lama.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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