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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Desastre anunciado

É preciso fazer força para expurgar a raiva pela perda do título. Nas condições que se desenhou, foi mais cruel e inaceitável. Não porque não merecia, mas porque além da incompetência, o adversário contou mais uma vez com outros fatores que contribuíram para que o final fosse este.

Além da qualidade com grande superioridade que tiveram nas duas partidas da final, usaram de um requinte cruel para matar o inimigo, lhe tirando a vida aos poucos, com sofrimento e dor.

Mas quem sabe tenha sido melhor assim. Se o final que se anunciou até aos 44 minutos tivesse se confirmado, poderíamos ter ficado com os louros da vitória, no capricho que só a decisão de pênaltis é capaz de dar aos incompetentes. Como só uma injusta decisão de pênaltis daria ao incompetente Coritiba.

Fosse assim, hoje poderíamos estar nos iludindo mais uma vez, achando que somos os tais. Derrotando numa épica decisão, nas penalidades, um campeão Sulamericano, da Copa do Brasil e o quinto colocado do brasileiro do ano passado. Poderíamos estar batendo no peito com ares de orgulho de campeão, mas no íntimo sabendo que teve mais sorte que juízo.

Por isso, foi melhor assim. Porque às 2h:30 minutos desta madrugada, quando não consigo dormir e saio da cama para escrever neste desabafo que preciso fazer, para ver se durmo, tentando tirar da cabeça o belo gol do menino Khellven, que nunca mais vai acertar um chute daqueles no gol de nenhum outro adversário.

Precisava ser assim, para voltar à cama, dormir e quem sabe acordar nesta quinta-feira e ter a notícia finalmente de uma revolução dentro do Coritiba, para que ao menos tenhamos alguma esperança neste brasileiro, que se já não nos dava grandes esperanças, agora começa com um novo problema: estamos sem o único atleta com alguma qualidade que tivemos até esta decisão.

Aliás, a gravidade da contusão de Rafinha deve pôr fim à sua carreira. Se já tínhamos problemas sérios para dar qualidade ao desqualificado time, agora vão ter que se desdobrar para correr atrás de um prejuízo ainda maior. Castigo que deve ser pago por Samir, por sua incompetência e teimosia, não por nós que ficamos mais uma vez com o mico na mão.

Se mais uma lição fica para a incompetência de Samir e seus colegas, a dor, o problema e a busca da solução, será feita mais uma vez, nestas conjecturas possíveis que fazemos aqui todos os dias. Mas não nos ouvem. Não indicam caminhos e nem tentam soluções.

Para resolver o primeiro problema: como Barroca e comissão técnica vão juntar os cacos para o jogo de sábado, para a estreia contra o Inter?

Só acreditando mesmo numa revolução, com a queda ou afastamento sumário de Samir e sua turminha.

Já é hora disso tudo acabar. Não nos submetam mais a estes quatro meses restantes. Chega disso. Parem com este processo de destruição do clube, com esta sucessão de erros.

Agora é um bom momento para lembrar da prematura saída da Copa do Brasil, que custou caro aos cofres do Coritiba. A conta chega para ser paga em momentos como este, por exemplo.

Vou mais longe, a perda do título, da forma como foi, apenas confirma um esboço desenhado há quase três anos por Samir e seu G5.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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