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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Desmanche 2

Será no sábado, às 5 da tarde, o começo do ano para o Coritiba. O resultado do trabalho de bastidores, o trabalho interno começa a ser avaliado nesta largada do Paranaense contra o Nacional de Rolândia. Tenho dito que o regional deve ser usado para tirar a medida do que nos espera no resto do ano. Os ajustes, se necessários, devem ser feitos agora.

É um campeonato curto, mas nele é possível saber dos acertos e erros que surgem pelo caminho.

Isso tudo na visão de quem está de fora, na condição de torcedor. Para quem está lá dentro, contratando, trabalhando pelo clube, seja internamente, nos bastidores ou até jogando, não há muito que se possa fazer depois que a bola rolar. A não ser alguns ajustes técnicos e táticos. Moldar o time para o que de melhor ele pode render.

Se as contratações foram acertadas ou erradas, já sabemos que não é possível voltar atrás e recomeçar. Muito provavelmente este será nosso time até o fim do ano, com raras exceções. Com alguns nomes que ainda possam vir e outros que podem ir. Implica em contratos e a rescisão nem sempre é possível. Não tem dinheiro para isso. Futebol não é como uma empresa que faz um contrato de experiência, e se o empregado não render, coloca outro no lugar.

A posição de cobrança do torcedor é mais cômoda que a do dirigente que contratou apostando em alguém como solução. Não é possível dimensionar o número de reuniões técnicas feitas no clube, antes da contratação de alguém. No caso do Coritiba, esta conversa deve ter chegado em níveis de exaustão. Afinal, mais de meio time está sendo montado.

Rodolfo e Negueba, são dois casos especiais, na minha opinião. Parece que terão no Coritiba a chance de mostrar o que podem render. Ainda muito tímidos por onde passaram, não há dúvida que a diretoria apostou no despertar do futebol de ambos. Giva já teve oportunidade no Santos e ganha nova chance no Coritiba. Cáceres e Wellington Paulista (se vier), precisam recuperar o futebol que mostraram ter, mas que se perdeu por aí. São conjecturas, mas todas dentro do possível. Por que não ser otimista? Por que estes atletas não podem dar certo por aqui, defendendo o Coxa?

Por mais que tenham pensado, negociado, desmanchado, remontando, ajustando um "novo" Coxa, desde salários até a avaliação do potencial de cada um, foi na única intenção de chegar no modelo do grupo que querem e precisam. Tudo na verdade vai depender de um pouco de sorte, mas acima de tudo de cada um destes atletas.

Fico na torcida para que funcionem. Se não, serão candidatos a viverem como Lincoln e Júlio Cesar, que vieram para resolver, e só trouxeram prejuízo.

Lembro que da arquibancada ninguém conseguia entender como um jogador da categoria de Lincoln, nem no banco ficou em muitas partidas onde poderia e deveria ter ajudado. Era difícil entender por exemplo, quando o próprio Marquinhos ou Dado Cavalcanti, argumentavam que Lincoln e Alex não podiam jogar juntos. Até hoje, além da história do dinheiro, pouco se sabe sobre o “chinelinho” de Lincoln.

Os bastidores do futebol reservam histórias que raramente chegam na arquibancada. Na maioria dos casos, só são conhecidas quando deixam que chegue até nós. E quando chegam, é porque tem uma segunda intenção. Caso da faixa dos salários atrasados, por exemplo.
Espero sinceramente, ver o Coritiba livre destas encrencas, este ano.

Com a humildade usada para montar o elenco, já é possível saber que nossas pretensões são modestas. Temos time para ser campeão paranaense. O desempenho no regional certamente vai determinar o futuro deste grupo nas demais competições. Pelo menos é assim que funciona, ou deve funcionar.

O ambiente no departamento de futebol é outro fator determinante. Na gestão anterior, as relações terminaram pra lá ruins. Parece que isso também é passado.

Que se “DESMANCHE” mais - se necessário - mas que se faça pelo bem do Coritiba!

PS: (aos menos avisados).Significado de Desmanchar:
Desfazer: desmanchar a bainha do vestido.
Tornar nulo: desmanchar um contrato.
Frustrar: desmanchar os planos de assalto.
Eliminar, fazer que desapareça: desmanchou todas as suspeitas.
V.pr. Dissolver-se, diluir-se: a bala se lhe desmanchou na boca.
Fig. Exceder-se, descomedir-se: desmanchou-se em desculpas.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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