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ArquibancadaSergio Brandão

E que venha o próximo!

Os resultados de Avaí e Figueirense, no sábado, já davam indicativos que mesmo com uma vitória do Coritiba em São Paulo, as últimas três vagas para o rebaixamento, ficariam para serem decididas na última rodada, domingo que vem.

Três vagas para cinco clubes. Deles, o Coritiba tem a melhor condição e o Goiás, quase nenhuma chance. Precisa vencer o São Paulo e contar com uma combinação pouco provável. A briga fica mesmo entre os quatro. Me daria um prazer ainda maior, ver o Vasco despencar aqui, dentro do Couto Pereira.

Assim como foi na semana passada, parece que teremos uma ainda melhor, para conjecturas, palpites, apostas, desconfianças com prováveis armações de arbitragem etc etc etc.

O fato é que da forma como as coisas se encaminharam durante o ano todo, não poderíamos mesmo ter um final de campeonato mais calmo, ou diferente do que teremos domingo. Aliás, ouso ir um pouco mais longe: não me espantarei se tivermos uma rodada com requintes de crueldade, para selar este 2015 com chave de ouro, pra Coxa-Branca nenhum esquecer. Coisa do tipo, derrota para o Vasco, mas não caímos por conta das outras combinações. Será bem à moda da casa, com um tempero que conhecemos bem o gosto amargo que tem.

Claro, não merecemos uma final assim, pra lá de perigosa, especialmente os cardíacos. Mas do jeito que as coisas se encaminharam até aqui, não duvido de mais nada. Embora o time esteja embalado, passe mais confiança, tenha demonstrado acima de tudo maturidade e confiança, coisa que não tivemos durante o ano todo, mas mesmo assim, estarei no Couto preparado para tudo.

Este ano foi mesmo diferente dos anteriores. Como nunca, vi gente se armando de máquina de calcular. Muitos se envolveram em cálculos complicados a cada rodada, principalmente nestas seis ou sete últimas. Uma turma dedicada, que se armou de projeções aritméticas, de comparações com números de anos anteriores, projeções espetaculares,lembrando inclusive façanhas como a do Palmeiras no ano passado, que escapou do rebaixamento por menos do que já temos em pontos somados.

Também lembro de outras histórias, de gente que não sabia pra que lado correr. De gente que perdeu noites de sono tentando uma resposta para o que sempre pareceu inexplicável. Vimos um Coritiba diferente este ano. Inexplicável mesmo.

Para o jogo com o Palmeiras, o fato de jogar com o time reserva, chegou a ter duas posições: os mais desconfiados achavam que era justamente no time reserva onde morava o perigo. Segundo muitos, time reserva joga para mostrar serviço, com gana, buscado a simpatia do treinador e uma vaga no time principal.

O torcedor mais presente, o que acompanha o dia a dia do clube, levanta e dorme com a rodada que passou, mas acorda de olho na próxima.

Parece castigo, mas mal arrumamos uma sequência de três vitórias, tendo quase nada para comemorar durante o Brasileiro, e justamente agora, quando parece que embalamos, precisamos nos concentrar na linha de chegada. Na partida seguinte que vai decidir nossa vida ano que vem. Nem deu pra comemorar os seis gols feitos em três jogos, os nove pontos e já estamos de olho no próximo e último adversário.

Mas este é o perfil de todo torcedor, de todos que gostam de futebol, com o Coritiba especialmente, nos últimos anos têm sido assim.

Eu, menos avisado, entrei nesta história há 50 anos quando elegi o futebol como diversão, mas que ultimamente tem me dado mais sofrimento. Tudo bem, é um caso de amor.

Ano quem vem as coisas serão diferentes, digo eu otimista. Eu sei! Tudo bem, todo ano ano a gente diz isso, e até agora nada mudou, mas se não acreditar que vai mudar, deixa de ser interessante, o amor vai se apagando e o interesse desaparece.

Prefiro acreditar mesmo em dias melhores. Quero acreditar que domingo sairemos do Couto pra voltar só no ano que vem, mas com uma história melhor pra ser contada.

Domingo é dia de Couto, de deixar a esperança de dias melhores naquele ambiente. Dia de torcer, de empurrar... como última missão de um trabalho que foi intenso este ano. A torcida talvez tenha sido o principal personagem desta temporada. Acho que merecemos um troféu ao final do ano.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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