E se a gente pensar grande?
Outro número que não consigo mais ouvir e ler por aí é o 10. A falta do camisa 10 que não temos, a falta de um craque que de tanta falta que faz, já tem quem admita que pode ser meia boca, mas que seja um 10. Até Netinho, do J, Malucelli já falaram. No domingo foi a vez da imprensa comprar esta ideia de Netinho no Coritiba, como solução do camisa 10, para o Brasileiro.
Oras, Netinho??? Por favor! Tudo bem, não existe esta mão de obra no mercado, mas então vamos encerrar este assunto, até que surja finalmente o tal 10. Sim, porque parece que todos sabemos disso, inclusive e principalmente a diretoria que imagino estar em campo para tentar resolver o problema.
Logo entramos na fase final do Campeonato Paranaense, e cabe ao departamento de futebol começar a dar uma solução para o problema, enquanto o time que aí está, precisa se concentrar nas disputas finas de mais um regional.
Ser primeiro colocado no Campeonato Paranaense, ter o artilheiro do Campeonato, a defesa invicta há cinco rodadas, ainda com o ataque mais positivo, é mais que obrigação de um clube grande como o Coritiba. Como disse um torcedor aqui no Coxanautas, dá nos nervos ver o Coritiba recuado, segurando resultado contra J. Malucelli, com todo respeito ao adversário. Dá nos nervos ver Vaná tomando amarelo, por fazer cera contra o Rio Branco de Paranaguá.
Mata-mata
Uma outra questão também levantada aqui: a possibilidade de pegar o A. Paranaense na próxima fase, que passou a ser grande com a ladeira abaixo que eles pegaram com os últimos resultados. É verdade que andam mais pra Torneio das Morte do que pra se classificar entre os 8 primeiros, mas que venham. Será mais uma vez um grande prazer revê-los. Só que já tem gente lembrando que clássico é clássico e eles podem crescer neste momento. É preciso abrir o olho e não perder o foco, disseram por aqui. Esta é outra coisa que pra mim também já passou do limite. Seja com sub 23, principal, dente de leite... Vem pro atletiba com o time que for, soca gol nos caras! Não perdoa. Marca quanto der, pra ficar na história, pra nunca mais esquecer. Lembro de pelo menos dois atletibas recentes que escaparam de tomar goleada, com estas crianças de 23 anos que colocam em campo. Só porque nestas duas oportunidades, tiramos o pé do acelerador e por piedade ou sei lá o quê, tocaram a bola.
Me perdoem os mais comedidos e mais tolerantes, mas aqui mesmo, temos torcedores de um tempo onde o Coritiba era respeitado pelos grandes do futebol brasileiro,também como um deles. Tá certo que os tempos são outros, mas neste caso, parece que regredimos. Já fomos grandes e há anos não somos mais.
Assim que Vilsão assumiu, as coisas pareciam retomar os trilhos, mas não, o sonho durou pouco. Andamos para trás, até um pouco mais abaixo de onde estávamos, e agora só se fala em pagar as contas da administração anterior e tirar o Coritiba do fundo do poço. Não há dinheiro para pensar grande.
Precisa de inteligência para começar este trabalho de recuperação das contas do clube. E uma grande e abrangente campanha de arrecadação de sócios, por exemplo é a solução. Aliás, isso já passou da hora de ser feito. Deveria ter sido uma das prioridades da atual diretoria. Está no sócio a saída do buraco. O sócio que já foi a principal receita do clube nos seus melhores tempos de Vilson Ribeiro de Andrade.
Tenho muita dificuldade em conviver com esta pequenez. Me desculpem, mas ser líder de paranaense, ter o artilheiro de campeonato etc. etc. etc. não é mais que nossa obrigação.
Estamos há pouco mais de um mês do início do Brasileiro.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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