Eleitor de arquibancada
Agora por exemplo, percebo que eleição nos deixa sentindo meio donos da verdade, no caso do Coritiba, dono do clube. Nos damos ao direito de execrar, xingar quem não gostamos ou discordamos, mesmo que não o conheça, ou saiba muito pouco sobre o xingado.
Como se já não bastassem os adversários naturais do futebol, ainda arranjamos tempo para brigar entre nós, discussões internas que pouco ajudam. Aliás, mais atrapalham e que em alguns casos chegam em níveis da falta de respeito com a inteligência de quem consegue pensar um pouco além.
A chapa promete esquentar ainda mais nestas eleições no Coritiba, como sempre esquentou. Aliás, eleição é sinônimo de rivalidade. Como na politica partidária, no futebol o nível chega também a níveis bastante desprezíveis por quem gosta de educação e bom senso. O que aliás, não é o meu caso, porque às vezes gosto de um barraco, mas com alguma educação e inteligência, se possível. Se é que é possível barraco com educação.
Parece que nos adonamos do clube, não permitimos outra opinião se não for a nossa. Temos uma dificuldade enorme de lidar com o debate de ideias. Fugimos dele. Preferimos a contestação, sem discussão. Alguns vão tão longe que chegam a absurdos como torcer o nariz ao ver o oponente com a camisa do clube, como se fosse um adversário.
Jogo de cena? Em quase todos os casos, sim. Comportamento clássico e típico de um período eleitoral que logo termina. No dia 10 de dezembro, todos reassumem seus papéis normais e deixam de lado a interpretação dos personagens que assumiram na campanha, que dura exatamente um mês.
É mesmo muito difícil ver tudo isso sendo colocado acima da instituição, acima da marca Coritiba, deixando que mais uma vez prevaleçam as vaidades e interesses pessoais.
Vai eleição, vem eleição e as conversas ressurgem, ganhando apenas roupa nova. Despida, fica com a mesma cara das eleições anteriores. Sinal que nada muda e nem vai mudar tão cedo.
No Coritiba somos a cópia do eleitor tradicional brasileiro: votamos como torcedores e não como eleitores conscientes, somos passionais, não estudamos rigorosamente os candidatos.
Ainda não sabemos sair da arquibancada para votar.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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