Em 20 minutos
Desde minha juventude, sempre tive uma relação muito próxima com a família Bacellar. Com os irmãos mais novos de Rogério Bacellar, Roberto e Ronaldo Bacellar. E acreditem, foi o Coxa que nos uniu. Os Bacellar e minha família, frequentávamos a praia de Ubatuba, na ilha de São Francisco, em Santa Catarina. Isso foi no final dos anos 60. A nossa temporada começava em fevereiro, a deles vinha desde dezembro.
A família Bacellar era conhecida como a família Coxa, naquela praia. Assim que chegavam em Ubatuba, hasteavam uma enorme bandeira do Coritiba, que podia ser vista de longe. Aquilo nos orgulhava. Ter o nome do Coxa visto além, pra toda a praia ver, sempre muito recheada de curitibanos e joinvilenses, era mesmo muito legal.
Ontem, em frente ao cartório, enquanto minha esposa cuidava da assinatura no Cartório, foi o que lembrei naquela espera que deve ter levado uns 20 minutos. Na frente do cartório um rapaz, vestindo a camisa do Coritiba, ainda com o patrocínio do BMG, cuidava dos carros. Puxei conversa com ele, provocando. - Seu time ganha hoje? perguntei. Não me respondeu. Apenas torceu a boca, admitindo com uma expressão de quem considerava aquilo como missão impossível.
Ainda na espera de quase 20 minutos, também lembrei de um texto, publicado aqui no COXAnautas, pelo meu amigo Leopoldo Gonçalves, com o título “ A culpa não é do Bacellar”. No texto Leolpoldo não isenta Bacellar de suas trapalhadas, como pode supor o título, mas mostra os vícios e caminhos que toma um conselho e uma administração Coxa –Branca há décadas.
Também lembrei de Dr. Romeu Bacellar, pai de Rogério, membro do conselho do Coritiba há anos, que fez história ao lado de Evangelino. Este sim, quem sabe teria sido o presidente que poderia ter sucedido Evangelino. Dr. Romeu era para nós ainda moleques, um ídolo que circulava pelos corredores do Alto da Gloria.
Tudo isso em 20 minutos de espera na avenida Paraná, na véspera de uma partida com o Corinthians, onde hoje, com um pouco mais de sorte ao completar 108 anos, poderíamos estar comemorando e não chorando mais uma derrota.
Discordando do título, mas não do conteúdo publicado por Leopoldo Gonçalves Jr. Bacellar tem culpa sim, podia ter passado por esta com menos marolas, com menos teimosia. Mas concordo com Leopoldo que Rogério Bacellar é um homem honrado sim, como foi seu pai, dr. Romeu, e são seus irmãos e sua mãe - falecida recentemente, dona Mirian. Rogério Bacellar não nasceu para administrar o futebol, nasceu numa família Coxa, apaixonada por este clube, como todos nós. Esta deveria ter sido a sua relação com o Coritiba, nunca como presidente.
Por isso, dr. Rogério, seria digno de sua parte encerrar esta história com pelo menos um pedido de desculpas à toda a família Coxa- Branca. É o mínimo que espero do senhor, pelo que aprendi com os Bacellar. O senhor errou, e errou feio. Nos deve sim, pelo menos um pedido de desculpas.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (10)
