Evolução ou Ilusão?
Ocupar a 7ª posição com 15 pontos após 10 rodadas é um feito histórico para o clube na era dos pontos corridos. Para se ter uma ideia, essa é a segunda melhor marca do Coxa desde 2006 na era dos pontos corridos.
Então, vamos lá. Acho que Fernando Seabra é um dos fatores que determinaram este caminho. O treinador trouxe uma mentalidade de organização defensiva com transição rápida. Ou seja, preservou o que Mozart deixou, tirando proveito disso e do que o elenco pode oferecer ao seu jeito de jogar. Hoje, o Coritiba joga de forma compacta (geralmente num 4-3-3), o que acabou compensando a diferença de investimento em relação aos gigantes do G-4. Por isso, acho que a escolha por Seabra como treinador vai muito além do que nós, torcedores, podemos supor. Aliás, aqui do lado de fora, sem saber dos bastidores, ficamos com quase nada de informação. Por isso, nos resta aceitar a paixão e torcer.
O aproveitamento cirúrgico de Lucas Ronier é uma das válvulas de escape no esquema de Seabra, que acaba colocando o time com esta eficiência como visitante e a principal peça do time neste momento. O Coritiba sem Ronier perde muito. É sempre bom lembrar que esta pontuação que o Coritiba consegue fora de casa é muito rara de acontecer com times recém-promovidos da série B para a A.
Embora o time tenha a base da Série B de 2025, a diretoria foi ao mercado com uma lupa atrás de reforços. Sem gastar muito, trouxe jogadores de composição que encaixaram no esquema, embora Breno Lopes e Pedro Rocha andem meio desaparecidos nas últimas duas rodadas. Breno andou machucado e, por isso preservado, mas precisa dar mais. Pedro Rangel não é um Morisco, mas assumiu bem a meta. A manutenção de Maicon e Bruno Melo, que até estes dias ainda eram dúvida, está dando a casca necessária para enfrentar atacantes de Série A. Apenas Bruno Melo acho que não é a segurança que o Coritiba precisa na lateral.
Sebastián Gómez e Josué dão a sustentação que permite ao time não ser "atropelado" fisicamente.
A inconsistência, a oscilação de partidas boas e ruins, acho perfeitamente razoável neste momento de largada da competição. Temos pouco mais de 1/4 da competição realizada.
O jogo deste domingo contra o Botafogo é mais um teste de fogo. O Botafogo está logo atrás na tabela (10º lugar) e vem sob pressão.
Se vencer, o Coxa pode saltar para o G-6 (dependendo de um tropeço do Athletico-PR ou Bahia), consolidando-se na briga por uma vaga na Libertadores — algo que ninguém previa no início do ano.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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