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ArquibancadaSergio Brandão

Fala, Samir!!!

Parece que ainda falta alguma maturidade ao presidente Samir Namur, ou pelo menos alguma orientação de sua assessoria, ao se comportar em público. Maturidade que ao final do mandato de três anos, talvez seja um pouco maior.

Gravar um vídeo que será levado a uma comunidade, não é simplesmente sentar em frente a uma câmera e dizer coisas que veem à cabeça, principalmente neste caso, quando se trata do presidente de uma instituição como o Coritiba dando satisfação ao seu torcedor, num momento como o de agora. Delicado, turbulento e de descrédito quase que generalizado a um trabalho.

Samir devia primeiro se armar de argumentos mais fortes, com outro viés do que usou até aqui. No mínimo mudar o vocabulário, com raciocínios mais convincentes, vender uma imagem mais positiva. Marketing é o nome disso. Saber vender um produto, uma ideia, convencendo o comprador.

Outra questão: se referir à imprensa de forma pejorativa e genérica, inclusive dando nomes dos veículos, talvez não seja uma estratégia muito inteligente, levando em conta o grande mau estar já existente entre os dois lados. Basta rever as últimas citações feitas pelos principais sites de notícias, ao Coritiba, esta semana, por exemplo. Pode esperar que a partir de agora, a artilharia contra o Coritiba, será ainda maior do que tem sido. Não aconselho comprar uma briga com formadores de opinião. Neste momento, o ambiente do Coritiba precisa ser de paz, não de guerra, principalmente com a imprensa. Estratégia usada pelo CAP e que resulta no que andamos vendo, embora ali a estratégia de venda do produto seja mais profissional, não precisando tanto assim da imprensa/setorista.

Quanto ao mérito, o conteúdo das respostas aos sócios, disponível desde ontem nos canais do clube, com perguntas feitas apenas por sócios adimplentes, e não por toda a comunidade Coxa, algumas observações. Primeiro: tentar dar este tom de entrevista, tendo apenas um intermediário e não um jornalista que de fato faça perguntas, tira um pouco da seriedade da proposta. Seria mais interessante dar uma cara diferente ao serviço, reformatando a proposta, deixando com uma cara mais isenta.

Outra questão: fazia muito tempo que não ouvia com tanta frequência a expressão "fluxo de caixa”. Não contei, mas certamente foi a expressão mais usada por Samir, nesta quarta aparição onde são dadas satisfações, deixando a conversa , como já disse aqui, com cara de escritório de contabilidade.

Em mais de uma hora de gravação, Samir também admitiu erros nas contratações de Alvarenga e Alan Costa, mas não admitiu mudar o planejamento feito, anunciado em campanha, baseado nos três pilares como ele gosta de chamar: base, profissionalização e ajuste das finanças.

Sobre Carlos Cesar, que veio como titular e ainda não jogou, Samir disse que tanto ao Coritiba como ao jogador, faltou sorte. Três contusões inesperadas impediram sua estreia, mas logo o atleta estará pronto para jogar.

Reiteradas vezes, Samir trata J. Rusch, Vitor Carvalho, Nathan, Pablo Tomaz, Sasse e Kady, como grandes revelações e que no futuro renderão muito dinheiro ao Coritiba.

Admiro a confiança e a convicção do presidente em suas ideias, mas temo pelo pior, quando com toda segurança ele ainda fala que a prioridade é subir.

Presidente, sinceramente, com este time o senhor acredita mesmo nisso? Com toda a sua rodagem, imagino que com o mínimo de conhecimento de futebol que o senhor possa ter, imagino que as expectativas devem pelo menos diminuir a cada rodada.

Em certo momento da entrevista, Samir diz que a partir de “agora a coisa vai”. Numa referência as duas últimas contratações, Rafael Lima e Belusso.

E se não for, e se não der certo, presidente? Temos um plano B para o segundo turno?

Não me junto ao torcedor que ao final da gravação pede a sua renúncia, como também nunca acreditei que isso seria possível, mas acho que se continuar assim, o senhor sai antes, não por vontade própria, mas sua saúde vai abrir o bico, tamanha será a pressão que o senhor terá daqui pra frente.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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