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ArquibancadaSergio Brandão

Um time pra chamar de seu

Que maravilha! Só mesmo o futebol pra proporcionar este sentimento que há anos a torcida não sentia. Difícil explicar uma façanha destas. Isoladamente, o time era de altos e baixos até aqui. De Wilson, o goleiro que para muitos (inclusive pra mim) foi o responsável pela derrota contra o Palmeiras, agora eleito o herói, numa classificação histórica na Argentina, dentro de um contexto onde cabia pouca ou quase nenhuma esperança de seguir vivo.

De um time desacreditado no início do ano, com derrotas inexplicáveis a um time de brio e raçudo na Sul- americana.

Em que Coritiba acreditar? A pergunta parece ter uma só resposta: no time de agora, claro. O time de brio, vergonha na cara, com raça, com cara de vencedor, que orgulha a sua imensa e apaixonada torcida.

Mas onde achar explicação para um time assim, bipolar. Acho que em seu treinador, Paulo Cesar Carpegiani. Porque além dele, nada mudou, nenhum nome novo, além do dele, se apresentou ao trabalho nestas últimas semanas. Temos o mesmo time, mas com outra cara. Isto é inegável. Carpegiani teve mais problemas do que soluções desde que chegou. As saídas de Kleber e Berola, Juan, Gonzales, Lucas Claro, Veiga, peças fundamentais que andaram nestes dias mais no departamento médico do que em campo, trabalhando. Isso por si só já seria motivo de sobra para entregar a rapadura e desistir da luta.

Carpegiani, tem todo o mérito. A entrevista concedida depois do jogo contra o Belgrano, tinha muito mais que um treinador eficiente e vitorioso. Carpegiani me passou a impressão de além de ter o grupo na mão, também ter vestido a camisa Coxa, num chamamento ao torcedor, fechando uma cumplicidade que deve ser respondida já nesta próxima rodada do Brasileiro, na partida contra o América, em casa.

É o momento da torcida voltar a jogar junto. A hora é esta. Aliás, nunca tão favorável. Fazia tempo que não nos davam tanta demonstração de tentativa de acerto. Parece que estão no caminho. A torcida precisa pegar este time pela mão e carregar daqui pra frente, agora numa reação também no brasileiro. Descansamos um pouco na Sul- americana até meados de outubro.

É este Coritiba, da classificação às quartas de final com show de competência e de raça que precisamos acreditar que teremos daqui pra frente.

Só mesmo o futebol, só mesmo este Coritiba de nossos corações, para nos deixar assim, de olhos marejados, acreditando que estamos começando uma nova relação acreditando que agora vai.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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