Falta um estrategista!
Wilson, mais uma vez responsável por boas defesas (duas no mínimo) foi o que disse algo que pode chegar mais próximo do sentimento do torcedor: “Infelizmente estamos nessa batida de a cada rodada uma emoção. Temos que fazer nossa parte para não depender dos outros. Mais uma vez deixamos escapar uma vitória em casa, que nos leva a torcer por outros resultados.
Mas o que me chamou mesmo atenção,foi mais uma vez as invenções de Ney Franco que arrumou um time diferente. Tá certo que em pelo menos uma posição havia necessidade, tinha jogador que precisou ficar de fora- ou por contusão ou por suspensão. Mas dava para manter quase a mesma formação da última partida, ou no mínimo o mesmo espírito do jogo que fez contra o Avaí.
Com João Paulo como volante de ofício e três atacantes, embora apenas dois, Henrique Almeida e Kléber, são efetivamente da posição. Thiago Galhardo ajudou, compôs o setor nas jogadas ofensivas e ajudou no meio quando o Coxa não estava com a bola, mas logo de início era possível perceber a vulnerabilidade do time, com o Fluminense jogando em cima, dando sufoco desde o primeiro minuto. Tinha um enorme buraco na marcação de meio de campo, e Ney Franco deve ter pensado no banco: “errei mais uma vez”.
Terceiro destaque: a volta de Kléber, 73 dias depois de sua estreia contra o Cruzeiro, foi um dos destaques da noite. O cara ficou sumido. Participou da jogada do gol, mas foi só. Mas não dá pra crucificar o rapaz. Isto era de se esperar. Valeu pela raça e determinação.
Quarta questão: Lucas Claro e Ivan devem pegar o seu boné. Ivan é muito ruim, e Lucas desaprendeu o pouco que sabia. Inseguro, comprometendo, mais uma vez dando trabalho dobrado aos colegas de defesa. Mais atrapalha do que ajuda.
A entrada de Evandro no lugar de Galhardo,foi aperitivo do que o treinador faria mais adiante. Ney Franco me lembrou Paulo Cesar Carpegiani, colocando Marcos Aurélio no lugar de Lucas Claro. Foi num atletiba, no Pinheirão, que Carpegiani colocou o zagueiro Jorjão de centroavante. Uma daquelas aberrações que todos nós cometemos pelo menos uma vez na vida, mas que Ney Franco consegue repetir a cada jogo.
Esta história de invencibilidade de sete jogos não cola a esta altura do Campeonato. A matemática é outra. Perder dois ou três pontos dentro de casa é mortal para quem está nesta situação do Cortitiba.
Era a partida pra ganhar dianteira da zona de rebaixamento. O Fluminense vinha em baixa, já há tempos não é a mesma força do início do Campeonato. Além do mais estava bastante desfalcado. O que poderia ser uma festa, acabou sendo mais uma daquelas partidas para irritar a torcida que volta a desacreditar no time.
Para evitar os erros dentro de campo, é preciso que os acertos comecem dentro do vestiário, já nas escalações.
Mais do que nunca, falta um estrategista, um treinador mais comprometido, com mais tesão de acertar, mais esperto e envolvido com as coisas do Coritiba. Que perca o sono pensando em como armar o time a cada rodada. Seu jeitão bonachão e descomprometido, já passou da conta, Ney Franco.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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