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ArquibancadaSergio Brandão

Família em guerra!

O Coritiba anda parecendo aquelas famílias tradicionais, cheia de podres, onde todos sabem da vida de cada um. Onde houve respeito até certo momento, mas de uns tempos pra cá resolveu chutar o balde e sobrou quase nada de bom. Não ficou nem o respeito pela tradição que já teve um dia. Ainda é uma grande família, numerosa, mas desarticulada, desrespeitosa, sem orgulho de carregar o nome que sempre carregou por mais de 100 anos de tradição histórica. Nos culpamos, nos responsabilizamos pelos erros. Apontamos fracassos, discordamos fácil, mas ninguém dá um caminho melhor.

Uns porque não sabem mesmo o que fazer, outros porque estão aí para fazer barulho, a maioria nem sabe direito do que se fala, mas também precisa dar seu palpite. Outros porque já se encheram de ouvir esta conversa de tradição, que para os problemas atuais não trás nada de bom. Não há solução aparente para resolver os problemas de agora.

Os cabeças da família parecem os mais perdidos, tocando o barco contra a vontade da maioria. Pior é ver a outra família que sempre esteve à esteira desta, contar uma história de trapaça, mas de sucesso, crescendo e cada vez mais sólida.

Da nossa família só restou mesmo a tradição, mas que nem nós a respeitamos mais. Brigamos internamente, não concordamos com nada, andamos sempre de mau humor, procurando alguém com o mesmo sobrenome para discordar.

Caminhamos para a um buraco ainda maior, ou com uma meia dúzia de gatos pingados, de velhos senhores, em encontros de final de semana, para uma canastra, sem muita conversa, porque se alguém abrir a boca rola discussão. O encontro é só para jogar baralho mesmo, para ter o que fazer.

Temos uma casa, mas nem a casa serve mais. O olho cresceu no quintal do vizinho onde a grama é mais bonita. Preferem achar defeitos em nossa casa que já disseram ser um templo sagrado. Preferem correr atrás da modernização, pregam o fim dos tempos dos velhos casarios, para acompanhar os suntuosos templos das famílias tradicionais, construídos numa época que também já passou. Agora é tarde...

Vivemos sem dinheiro, porque não planejamos o futuro. Não temos planos de saúde e dependemos do SUS, mas ainda damos uma de bacana, frequentando shopping caro, salão de beleza caro, andamos de carrão... Desfilamos junto com a elite, sem mais ser elite.

Estamos ruindo e ruiremos ainda mais com esta empáfia, com esta mania de grandeza, que não temos mais. De achar que sempre temos razão e achar que a história, a tradição precisa ser respeitada. É preciso mais que humildade neste momento. Quem sabe união e muita inteligência, possam nos tirar deste pior momento que vive esta família em sua centenária história.

Que desta tradição, ainda reste a força que precisamos para sair deste buraco. O caminho é o amor de todos por esta família que chamamos de Coritiba Foot Ball Club.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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