Futebol x Olimpíadas
Há anos anuncio um quase desinteresse meu pela Seleção Brasileira de Futebol. Não há conquista inédita de um ouro olímpico que me devolva a graça de acompanhar o que ainda tem muito mais cara de comércio, de um grande negócio, do que a paixão e o amor clubístico que o futebol ainda preserva.
O ineditismo do ouro não me importa. Importou a contribuição que o futebol deu ao seu irmão mais pobre, o esporte Olímpico, no quadro geral de medalhas. Mais um ouro melhora a posição do Brasil na soma de medalhas.
Quem sabe, com esta prática de medalhar os atletas vencedores individualmente, nada comum no futebol, estes milionários atletas da bola, entendam um pouco do sentido real da história Olímpica.
Quem sabe levando a medalha pra casa, olhem bem e depois de alguns dias entendam melhor como é a vida das outras modalidades que sobrevivem com pouco, e às vezes sem nenhum dinheiro, num país de quase nenhuma tradição esportiva.
Não acompanhei esta Olimpíada como queria. Do que consegui ver, fiquei com a impressão que o momento político se misturou um pouco com algumas situações, e trouxeram algumas discussões.
Mas fico com uma impressão ainda maior que é a do orgulho nacional, não dos resultados nas modalidades, mas da nossa capacidade de fazer algo grandioso, de acolher e abraçar o mundo todo e de poder oferecer o nosso melhor, dentro da nossa casa. O Rio de Janeiro foi o coração do Brasil nestes dias.
Teve quem não viu assim, teve quem achou que era obrigação fazer bonito.
Sim, fizemos bonito. Aliás, mais que isso. Nos demos de volta o direito de acreditar que somos capazes de fazer coisas grandiosas.
Deixamos um pouco de lado o nosso complexo de vira- latas.
Estamos de parabéns!
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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