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ArquibancadaSergio Brandão

Gereba neles!

Uma mistura de Geraldo com Negueba. Quem sabe, está nascendo um novo carrasco de atletibas? Pra ser um Geraldo, Negueba vai precisar fazer muita coisa, mas se a intenção é esta, teve um bom começo neste domingo.

Além do gol e da comemoração da forma certa, no lugar certo, parece ter vestido debaixo do manto sagrado, a camiseta do verdadeiro clássico, dos atletibas que assisti nos anos 70. Provocando o adversário, e principalmente encarnando a raça que tanto queremos e que Negueba nos deu de presente na noite de ontem.

Esteve em todo o campo, brigando, dando sangue, num sinal de respeito ao torcedor e ao clube.

Nem ele e nem ninguém foi técnico, mas todos estiveram neste nível. Até podemos escolher um outro jogador que tenha sido mais técnico que Negueba, mas fico com ele como o melhor em campo. Pela raça, pelo gol, pelo passe a Henrique no primeiro gol e pela comemoração. Me senti um pouco Negueba naquela dança, feita na frente da torcida adversária.

Este novo Coritiba parece disputar um outro campeonato. Parece outro time, outra torcida, outros jogadores. Finalmente! Era o mínimo que podiam nos oferecer. É assim que queremos. Como presente, ainda nos dão esta vitória arrebatadora, pra não deixar dúvida.

Tudo parece ter se dissolvido, evaporado, e como num passe de mágica os problemas sumiram. A sorte que andou longe do Alto da Glória, parece ter voltado e com doses enormes de crueldade (aos adversários).

A situação atual do Coritiba nos dá algumas alternativas de raciocínio. Eu fico com uma nova matemática: pra fugir um pouco deste sofrimento que acompanhou a torcida desde o início do Brasileiro, é só começar a contar a classificação e número de pontos a partir de agora. Afinal, décimo quarto, décimo quinto, decima sexta posição, são velhos conhecidos nossos desde há muito tempo.

A gente foi adiando esta confiança que tanto pediram, mas que vimos nestas duas últimas partidas, e pra não deixar dúvida, a segunda foi num atletiba.

Não dava para acreditar no que a gente via... agora dá. Tinha que ser assim: chegou acompanhada de uma enorme e grande vitória. Não só pela raça demostrada, que cria uma nova situação, que a partir de agora é sem dúvida outra, mas pelo conjunto da obra... dos ares que rondam o Coritiba.

Coincidência ou não, as poucos, as coisas foram melhorando, na medida que os bastidores do Coritiba começaram a se limpar. A cada afastamento, um novo ambiente parece se formar dentro do clube.

É verdade que você pode dizer que ainda é cedo, ainda precisamos de mais alguns pontos pra respirar mais aliviados. Sim, também acho, só que junto com estas duas vitórias seguidas - esta diante do Atlético - acima de tudo dá um novo ânimo, moral ... uma condição nova e positiva que o Coritiba ainda não experimentou neste Campeonato.

Aposto muito mais neste sentimento que deve ser o motor do time a partir de agora. Energia positiva movida pelos resultados conquistados e novamente com a torcida do seu lado, confiando que a partir de agora, em jogos no Couto, há respeito mútuo.

“Gereba” neles!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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