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ArquibancadaSergio Brandão

Já deu, Vaná!

Junto com meu silêncio estava o respeito pelo começo de uma oportunidade que todos nós merecemos quando iniciamos numa tarefa ainda desconhecida. Mesmo levando em conta que isso em futebol não existe. Nunca este esporte foi tolerante com erros de ninguém, em nenhuma circunstância. Depois de meses como titular no gol, chegou a hora de rever esta posição de Vaná, como titular do Coritiba.

Entre tantos problemas que o time têm para encarar o brasileiro, ainda temos mais este, no gol. Ou você acha que não, que Vaná é o goleiro do Coritiba neste brasileiro?

Eu pelo menos, ando passando muito susto com ele. Bola cruzada, bola chutada, saída de bola... em todos os fundamentos ele erra pelo uma vez a cada jogo.

Contra o Londrina, errou duas vezes e levou sorte nas duas. Na primeira, um chute forte de longe, quando rebateu pra cima. Se tem alguém pro rebote, um abraço. No segundo tempo fez uma saída de bola suicida, tentando achar alguém no meio com um passe baixo, acertando exatamente o adversário. A zaga estava desarrumada, e por sorte nada aconteceu. Sem levar em conta o gol que tomou lá, naquela saída atabalhoada, muito parecida com a do primeiro gol do Foz, na primeira fase do Regional.

Lembro que quando o Coritiba ainda fazia a pré-temporada em Atibaia, alguém teve a infeliz ideia de sugerir que Vaná poderia ser usado como falso libero, como fez a Alemanha com Manuel Neuer, na Copa. Vaná não é goleiro pro Coritiba e tão pouco falso libero. O próprio Marquinhos chegou a falar com a imprensa, incentivando esta conversa de libero, valorizando a saída de bola de Vaná. Sabemos que ela (a saída de bola é ruim) também não existe.

Todo jogo Vaná nos brinda com um ou dois sustos. Por enquanto as consequências são aquelas que conhecemos: a disputa no paranaense acontece em outro nível e as consequências acabam não sendo tão desastrosas, mas no Brasileiro a encrenca será maior, com certeza.

Não estou levando em conta nem os erros que resultaram em gols aos adversários, ainda muito vivos na memória de todo nós. O fato é que para o resto do ano, precisamos de um goleiro de verdade. Ou ele melhora, ou assim não vai dar. O tempo dele já deu. Vai precisar voltar pro banco e esperar outra oportunidade.

Quem sabe a necessidade de um novo goleiro seja tão grande quanto a de um meia armador. São duas posições importantes. Uma que dá sossego pra torcida e pra zaga, a outra é a opção do talento, que resolve o jogo num lançamento, com a visão típica de um camisa “10”, que tanto precisamos. Isso vai nos dar a melhor opção para chegar ao gol adversário. Deixaremos de ser reféns das jogadas de Carlinhos pela esquerda ou dos escanteios e cobranças de falta de João Paulo.

Um time grande se caracteriza também pela variedade de opções de que dispõe. Ainda temos pouco, quase nada para um brasileiro.

Voltando a falar do nosso problema no gol: temos Willian Menezes, tivemos Vanderlei, pra falar dos mais recentes. Vaná sem dúvida é o mais fraco dos goleiros que tivemos nos últimos anos.

Me assustei com suas primeiras partidas. Comprometeu, teve a chance de se redimir, mas agora chega, com todo respeito que devo a um trabalhador como Vaná. Que venha a oportunidade de Willian Menezes.

O problema é maior quando sei que nada do que pensamos e discutimos por aqui, é levado em conta. Sei que muito provavelmente será Vaná o nosso goleiro neste Brasileiro, a não ser que a sorte que o tem acompanhado, o abandone. Parece que a esta altura, nos resta apenas rezar.

É que sou mesmo mal acostumado. Às vezes posso cansar alguns com reminiscências, mas olho para o passado no gol alviverde, e lembro de Célio, Joel, Manga, Rafael, Jairo, Mazaropi, até Anselmo e Gerson, para pegar nomes mais recentes, da década de 80 e 90. Os dois últimos não eram tudo isso, mas certamente melhores que Vaná. Apenas para entender em que nível estamos falando quando o tema é o gol do Coritiba.

A máxima de que um grande time começa com um grande goleiro, já não vale mais a esta altura. Começa com uma grande torcida que já deu a chance que tinha que dar a Vaná.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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