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ArquibancadaSergio Brandão

"Kleina Mantido"

"Apesar da pressão da torcida sobre o técnico, o presidente Rogério Bacellar garante Kleina no comando. “Não mudou nada ( situação do Gilson Kleina). Estamos verificando, uma derrota, um empate, não é que seja normal, mas ontem foi anormal. Acontece com todos os clubes”, declara o dirigente".

O texto acima está publicado na Gazeta do Povo, na edição online desta sexta-feira. Peço atenção ao sutil detalhe quando o dirigente se refere minimizando a derrota, como se ela fosse um caso isolado. Uma única derrota entre tantas vitórias, é o que supõe o presidente em sua manifestação, embora a realidade seja exatamente contrária do que prega.

Ainda no texto de hoje cedo,de avaliação da desclassificação, eu dizia da impressão que me dá todo o grupo de dirigentes do Coritiba, de que parecia ter um comportamento doentio, contando mentiras, e de tantas que contam, eles mesmos acabam acreditado que são verdades. O texto acima me confirma i que eu já desconfiava.

Subestimar a nossa inteligência já é demais. Achar que os protestos de ontem foram por conta de um único mau resultado, é deboche com o torcedor, falta de respeito até. Estamos no limite com tudo isso e toda a tolerância possível já se esgotou. A fraca pré- temporada, o vexame na Primeira liga, o segundo vexame no regional, e agora na Copa do Brasil, são suficientes para que não haja mais paciência. Ela se esgotou em mais esta vergonha, em mais um fracasso de Kleina no comando técnico do Coritiba.

Isso também serve para Alan Santos, que em nome dos demais jogadores saiu em defesa de Gilson Kleina. Se Kleina é “amiguinho” de todo o elenco, muito bom para eles. Meu desejo é que continuem assim, amigos, mas em outro lugar, em outro clube.

Estamos falando de profissionalismo, não de envolvimento passional, de amigos que se protegem e colocam isso acima de uma instituição, de um trabalho que precisa ser sério e custa muito caro ao clube, com uma folha de pagamento razoavelmente alta para os nossos padrões.

Que Kleina seja um cara legal, até posso acreditar, mas não é técnico para meu clube. Não deu certo seu trabalho, depois de 5 meses de paciência. Seu prazo de validade já deu.

O futebol é um produto muito caro, para preservação de amizades em nome de insucesso. Que sejam amigos, que se encontrem em churrascadas, mas na casa de cada um, mas nosso treinador precisa ser outro.

Já não me sensibiliza mais saber que o vestiário esteve em clima de velório, depois da desclassificação para o Juventude. Aliás, prática comum estas lamentações ultimamente. O grupo de jogadores chora pelo mesmo motivo em menos de duas semanas.

Se fecham num pacto de “vamos suar sangue”, mas não é que se vê no gramado. Novamente novo discurso da boca pra fora, sem que na pratica o tal pacto funcione em campo.

O Coritiba é um clube de futebol, não um clube social, onde amigos se encontram para uma cervejinha em fim de tarde para um bate-papo descontraído. Vocês ganham muito bem para que façam além do que andam apresentando em campo.

Se ainda preferem continuar, então que façam algo mais prático, que resulte no mínimo em respeito ao torcedor, mas sem promessas vazias, da boca pra fora. Façam, apenas o que lhes cabe neste buraco que estão colocando o Coritiba.

Ao grupo de jogadores, nova oportunidade para que façam algo, mas apenas pela absoluta falta de opção. Não nos resta outra alternativa, se não esperar que de fato vocês em algum momento façam algo.

A Gilson Kleina, minha insistência em pedir que saia. Que não se esconda no personagem “bonzinho”, amigo da rapaziada, que o defende em nome de uma amizade.

Por favor, Kleina, pegue seu boné e siga seu caminho. Crie coragem e peça pra sair. Você, melhor que ninguém, sabe que a tendência é que as coisas fiquem ainda piores. Não há mais o que fazer, não há mais o que esperar do seu trabalho.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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