Ligação direta
Argel parece ter conseguido uma organização que os treinadores anteriores não deram ao time. Pelo menos é isto que relatam os que se apresentam para as coletivas ou os que por acaso aparecem em conversas reservadas, como a que tive com o meia Chiquinho, estes dias.
Além de Simião que se apresenta como um jogador renascido nas mãos de Argel, Chiquinho é talvez o que mais tem contribuído para resolver uma das maiores deficiências do time, desde a aposentadoria de Alex. Ainda longe de ser definitivo, mas sem dúvida consegue pelo menos uma sequência de boas partidas, dando uma movimentação ao meio de campo Coxa. Com algumas tentativas de armação de jogadas pelo meio, coisa que não acontecia há muito tempo.
Na conversa com Chiquinho, o óbvio parece ter sido assimilado pelos atletas e treinador, mas ainda não consegui entender como isso não foi detectado com Eduardo Batista e Tcheco. Fazer a bola passar pelo meio, sem a ligação direta que vinha sendo feita, sempre me pareceu não uma alternativa, mas uma necessidade, que Argel tornou uma obrigação, uma primeira condição para o time finalmente conseguir chegar ao gol adversário.
“Estavamos fazendo ligação direta, me disse Chiquinho”.
Não precisa dizer, eu sei, Chiquinho! Todos sabemos e vimos e reclamamos durante muito tempo. Precisou de Argel para ver o óbvio?
Isso me lembra mais uma vez, quando Edu Coimbra me disse que treinador é muito mais psicólogo. Edú tinha na mão aquele celebre time de 89, com Osvaldo, Serginho, Carlos Alberto e Tostão.
Enquanto o treino rolava solto no gramado do Couto, Edu mandou esta: “ com um time destes, o que você acha que eu faço? Apenas organizo e distribuo camisa no vestiário”.
Um time de jogadores inteligentes, que não precisavam de uma ordem vinda do banco, para fazer a leitura do que acontecia em campo.
Tarde ou não, pelo menos isso já foi entendido pelo Coritiba de agora.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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