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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

“Lutaremos juntos até o fim”!

A frase da manchete acima foi em negrito para que não ficasse dúvida. Ficou em destaque exposta na faixa carregada pelos jogadores em protesto aos três meses de salários atrasados, expondo a todos a cisão que existe entre administração e jogadores. Apenas entre diretoria e atletas, porque até Marquinhos Santos se mostrou surpreso com a atitude dos atletas.

De positivo ficou a demonstração de união entre jogadores e torcida que parecem ter selado um casamento nesta luta para fugir do rebaixamento. E foi o que se viu no clássico. Em campo luta, um time que lutou como há tempos não se via. Na arquibancada uma torcida que também fez sua parte comparecendo e dando apoio.

A faixa que acompanhou os jogadores na entrada em campo, expõe a instituição Coritiba como ainda não tinha visto, e de forma muito negativa. O peso desta exposição talvez tenha o mesmo tamanho da vergonha que senti na famosa partida contra o Fluminense, no rebaixamento em dezembro de 2009.

Curiosamente, naquela oportunidade, Vilson de Andrade apareceu meses depois para tirar o Coritiba do buraco que tinha se enfiado. O mesmo Vilsão que agora afunda o clube em mais uma vergonha nacional. Nem me refiro aos pontuais erros que nos colocaram nesta situação, mas de uma administração perdedora e que não respeita seus principais funcionários, os jogadores, e sua principal razão de existir, o torcedor.

A cena de hoje, certamente mancha a história centenária e gloriosa do Coritiba. Em 2009, manchamos nossa história com a violência absurda, vinda de meia dúzia de torcedores. Hoje, expusemos a quem quisesse ver a nossa falta de respeito com compromissos básicos de cidadania, que troca trabalho por dinheiro. Desrespeitamos o sagrado dever de honrar compromissos com quem contratamos para o trabalho, e sem muita explicação, simplesmente não pagamos e nem damos satisfação.

Nós não, o senhor Presidente Vilson Ribeiro de Andrade! O senhor precisa assumir esta responsabilidade. O Senhor e sua diretoria. Aliás, já passou da hora do senhor no minimo explicar o que anda acontecendo aí dentro. Já disse isso aqui, o Coritiba não é seu. Ainda não somos um clube de "dono". A torcida exige uma explicação.

O seu silêncio é irritante, as suas entrevistas- que falam apenas do setor Pro Tork - também irritam. O seu faz de conta que tudo está bem, irrita mais ainda. As sua expressão de Nero, assistindo Roma se incendiar é irritante, presidente.

O senhor precisa sair deste pedestal, descer entre os mortais e nos contar o que anda fazendo com o Coritiba. Alguém daí, precisa assumir esta responsabilidade.

Não adianta fechar o CT para que a imprensa não ouça seus jogadores reclamando dos salários atrasados. O mundo virtual cuida disso e até com mais competência. A cena de hoje é prova disso. Nem Marquinhos Santos sabia da tal faixa que expôs o problema. E senhor se meteu num buraco muito fundo e cada vez fica mais difícil de tirá-lo daí.

Sugiro meu caro presidente, que convoque uma coletiva e nos conte tudo. Ou eleja sua própria assessoria para oficialmente se manifestar numa carta aberta, quem sabe? Mas precisamos e queremos saber como andam as coisas aí por dentro, presidente Vilson. Semana passada, seu companheiro, presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, fez isso. Aliviou a tensão e hoje o time trabalha respirando fora da ZR.

Um pouco de humildade vai lhe cair bem, presidente. Se o senhor insistir em permanecer neste caminho, pelo menos não leve o nosso Coritiba junto.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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